Londrina - Devido a diversos fatores, sobretudo culturais, os brasileiros não aceitam com facilidade a necessidade de colocar os pais numa casa de repouso. Porém, não foi o que aconteceu com a dona de casa Lídia Morozowski Fonseca, de 89 anos, que há um ano mora numa instituição. "A decisão de vir foi minha. Conversei com minhas filhas e disse que era a melhor alternativa. Eu não podia mais ficar sozinha em casa, mas não poderia obrigá-las que ficassem comigo o tempo todo. E nem queria isso. Todo mundo tem sua vida, suas responsabilidades", conta ela, que tem duas filhas, uma delas morando em outro Estado.
No início, segundo ela, as filhas resistiram, mas depois acabaram concordando. "As pessoas têm muito preconceito contra as casas de repouso e com os filhos que colocam os pais nessas instituições. Mas é porque não conhecem esses lugares. Aqui eu me sinto muito bem, além de estar rodeada de pessoas o tempo todo. Não é bom para pessoas mais velhas ficarem sozinhas. Minha rotina é movimentada: acordo cedo, tomo banho de sol, leio revistas e jornais, faço palavras-cruzadas, assisto à televisão. Além disso, minha família vem direto me pegar para sair, comer fora, passear", diz.
O empreendedor de loteamento Reginaldo Barros de Camargo comenta que sempre conversou com a mãe, Iraci, que chegaria o momento de colocá-la em uma instituição. "Faz cinco anos que ela está aqui. Antes disso, morou anos comigo e minha esposa. Mas, com o tempo, não podia mais ficar sozinha, pois caía, se machucava. Há momentos em que uma pessoa idosa precisa de cuidado integral, e isso se torna inviável para a família", argumenta ele, que paga em torno de R$ 2 mil pela instituição, mais medicamentos e utensílios de higiene pessoal, como fraldas.
Iraci, aos 92 anos, diz que está feliz na casa e que o filho vai visitá-la todos os dias. "Aqui eles me tratam como filha, cuidam de mim o tempo todo. Também faço atividades como pintura, brinquedo e massa."
Ciente de que foi a melhor decisão, Camargo afirma que lá a mãe está segura e recebe todos os cuidados que precisa. "Tem câmeras por todos os lados, o que me traz muita segurança. Também é uma casa com poucos pacientes, o que me deixa mais tranquilo com relação ao atendimento", conta ele, que tem três filhos, duas morando em outros países. "Já conversei com minha esposa e, quando precisarmos, também vamos para uma casa de repouso."(M.T.)

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