Tem início hoje debate sobre luta contra o terrorismo
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segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Agência Folha 
Começa hoje em Mar del Plata, na Argentina, a 2ª Conferência Interamericana de Luta contra o Terrorismo, promovida pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Um dos principais objetivos da conferência será a criação do Comitê Interamericano Contra o Terrorismo (Cicte), órgão encarregado de definir novas estratégias de defesa e intercambiar informações entre os países da OEA.
O encontro, portanto, pretende ser um ponto de inflexão no combate ao terrorismo. Pela primeira vez se busca chegar a novos instrumentos legais para o tratamento do assunto, desde que foi firmado o Tratado do Rio de Janeiro em 1948 - hoje um instrumento pouco eficaz diante das sofisticadas operações do crime organizado internacional.
Da pauta da reunião constam temas como lavagem de dinheiro, narcotráfico, acordos de extradição, regime integrado de vistos e controle de transferências financeiras - que hoje têm tratamento diferenciado em cada país.
Com o Cicte, espera-se, essas diferenças serão dirimidas ou pelo menos reduzidas, possibilitando um sistema de ações multilaterais entre os membros da OEA. Hoje, a disparidade entre as legislações praticamente impede - ou torna muito lento - o controle de atividades terroristas.
Para Carlos Corach, ministro do Interior da Argentina, está absolutamente claro que o terrorismo globalizado não pode ser enfrentado por um único país, nem por um único bloco. E conclui: Temos de transformar o mundo num lugar incômodo para o terrorismo.
Os crimes de lesa-humanidade praticados por regimes autoritários, também chamados de terrorismo de Estado, não serão discutidos na conferência de Mar del Plata. O principal foco de atenções será o comércio informal nas divisas entre EUA e Canadá, EUA e México e na tríplice fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai).


