Rio, 02 (AE) - O principal suspeito do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Temílson de Resende, o Telmo, afirmou hoje que as acusações sobre a autoria da escuta clandestina são para adiar a sanção da lei de criação da Abin. "Acredito que a intenção seja envolver o serviço do governo em um escândalo e dificultar sua criação", disse. Embora já conte com infra-estrutura de escritórios e funcionários, oficialmente, a Abin ainda não foi criada.
O agente também negou todas as acusações feitas a ele pelo ex-policial federal Célio Arêas da Rocha. Na avaliação de Telmo, seu nome foi envolvido no caso do grampo porque ele teria o "perfil ideal" para gerar uma polêmica. "Trabalho para um serviço de inteligência do governo e isso causaria muita repercussão na mídia", disse.
Apesar das afirmações, Telmo disse não saber quem teria interesse em dificultar a criação da Abin e qualificou qualquer possível palpite mera especulação. "Soube pela imprensa que haveria uma briga na comunidade de informações e uma disputa entre a Polícia Federal e a Abin pela responsabilidade das investigações sobre narcotráfico."
Afirmou também ter muita esperança de que a Polícia Federal chegue aos mandantes do grampo. "Gostaria muito que isso acontecesse para entender que armação é essa." Ele garantiu que, embora trabalhe na comunidade de informação há 23 anos, nunca soube do grampo. "O grampo poderia interessar a um grande número de pessoas, tanto do ponto de vista comercial quanto do político."
Aspectos estranhos - Telmo apontou aspectos "muito estranhos" no caso. "O Célio sabia que eu ia ser preso dois dias antes de a minha prisão ser decretada", citou. "Existem inúmeras hipóteses, mas alguém da Polícia Federal ou do Ministério Público pode ter avisado a ele." Sobre a sua relação com o ex- chefe do escritório da Abin no Rio, João Guilherme , que foi transferido para Brasília, Telmo garantiu ser apenas funcional. "Ele pediu meu afastamento da Abin duas vezes e abriu sindicância para apurar meu envolvimento no caso", lembrou.
O funcionário da Abin contou ainda que desde o envolvimento de seu nome no caso, no início deste ano, uma sindicância foi aberta e ele exerce um cargo burocrático na agência. Até então trabalhava como analista de informações, estudando temas de interesse estratégico para o governo.
O agente teve uma crise de hipertensão na noite de sexta-feira, ao dar uma entrevista a uma emissora de televisão. Segundo o médico que o atendeu, o cardiologisa Marcelo Fabrício, ele passou mal por causa do estresse a que vem sendo submetido nos últimos dias. Se for absolvido, Telmo pretende processar a União por perdas e danos e por danos morais. "Minha vida profissional acabou", disse, lembrando que seus únicos bens são um Opala 92 e uma casa em Jacarepaguá, na zona oeste. "

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