Telhas ecológicas cobrem Biblioteca Pública
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma telha ecologicamente correta vai ser usada para substituir o telhado da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba. A cobertura atual, de fibrocimento, está bastante danificada por causa do temporal de granizo do último dia 7. A nova telha é feita com restos de embalagens de leite longa vida, é totalmente resistente a chuvas de gelo e custa cerca de 20% mais barato do que o material original. Já as cumeeiras que vão ser usadas no telhado são feitas de sobras de tubos de pasta de dentes.
A iniciativa de fazer as telhas de caixas de leite partiu de um pequeno agricultor de Sarandi (oito quilômetros de Maringá), Antonio Emiliano Leal da Cunha. Ele diz que se preocupa há muito tempo com questões relacionadas ao meio ambiente e quando conheceu em São Paulo uma fábrica que já produzia essas telhas com caixas de leite, resolveu montar uma fábrica no Paraná. De 20 funcionários no começo, a empresa já conta hoje com 30. ''É uma forma de produzir um material de qualidade, mais barato e com matéria-prima que antes ia para o lixo'', afirma. Cunha não revela segredo da sua produção.
A telha de ''caixas de leite'' é mais leve que as convencionais, tem boas características termo-acústicas, não absorve umidade e é bastante resistente. ''Ela não é inquebrável, mas aguenta fortes impactos por ser flexível'', explica Cunha. O preço também é atrativo. A Secretaria de Estado de Obras informa que testes no Instituto de Pesquisa Tecnológico de São Paulo já comprovaram que ela dura mais de 20 anos. Na obra da Biblioteca Pública, a Secretaria de Obras vai gastar R$ 45 mil. Com a telha de fibrocimento, esse custo se elevaria para R$ 79 mil.
Segundo o secretário de obras, Luiz Dernizo Caron, a intenção do governo do Estado é incentivar as pessoas a usarem materiais de construção alternativos. As telhas vão ser incluídas nos cadernos de obras para que mais pessoas saibam dessa nova opção. Ele disse, ainda, que no final de setembro haverá um fórum de engenharia pública e todos esses materiais serão levados para uma feira. ''Quem tiver opções alternativas de materiais pode levá-los até a Secretaria de Obras. Assim podemos testar e depois apresentar ao público'', convocou o secretário.


