Ribeirão Preto, SP, 30 (AE) - Um público seleto com aproximadamente 70 pessoas pôde assistir hoje, no auditório do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, à primeira transmissão do serviço de telemedicina, disponibilizado pela Engeredes, empresa do Grupo Algar, de Uberlândia. A transmissão, de uma desobstrução de veia coronária, foi feita a partir de uma sala de cirurgia do Instituto do Coração do Triângulo, em Uberlândia, com acompanhamento do médico Adib Jatene.
Os docentes da Usp que assistiram à cirurgia puderam intervir na operação e opinar sobre a forma de condução da cirurgia. "É um projeto de extrema importância, já que facilitará a chamada segunda opinião, sem ter que fazer o paciente se deslocar entre vários consultórios do País e do mundo", disse Adib Jatene. Para o médico, que está apoiando o projeto de Telemedicina com base na Internet 2, "ainda não existem dimensões sobre o número de pessoas que poderão ser atingidas. "Hoje está sendo exibido apenas um projeto piloto para mostrar que a tecnologia existe e está disponível. Mostramos que é viável. Cabe agora apenas ao governo e às empresas ligadas ao setor agilizarem o processo para tornar mais comum este tipo de intervenção tão útil para a área acadêmica", comentou Jatene.
A transmissão, pioneira no País, só pôde ser realizada entre Uberlândia e Ribeirão Preto a partir de investimento de R$ 70 milhões feito pela Engeredes, empresa do Grupo Algar, na criação de backbones de fibras ópticas de alto desempenho. A diferença entre esse projeto e as demais cirurgias transmitidas em videoconferência é a utilização da chamada Faixa Larga, uma banda de transmissão que pode ser viabilizada pelas redes de telecomunicações de longa distância por meio de fibras ópticas de alta capacidade de transporte de imagem e som.
A rede óptica instalada pela Engeredes abrange todo o percurso entre São Paulo e Brasília, passando por Campinas, Ribeirão Preto, Uberlândia e Goiânia, tem previsão para ser estendida a Belo Horizonte e ao Rio de Janeiro. O projeto da Engeredes é atuar dentro dessa área como uma espécie de provedor para o sistema de Telemedicina Faixa Larga. Para viabilizar este projeto, a Engeredes conta hoje com 14 participações na formação de um consórcio para operar a Telemedicina Faixa Larga. São elas a CTBC-Telecom (também do Grupo Algar), Instituto do Coração Triângulo, Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Tess, TV Clube Ribeirão, Unimed Uberlândia, Sistema de Videoconferência, Siemens, Cisco, Rede Nacional de Pesquisa, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira Cardiovascular, Sociedade Brasileira de Telemedicina e Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista. É o primeiro consórcio que se tem notícia formado no país para habilitar Sistemas de Telemedicina Faixa Larga.
Segundo o coordenador geral da Rede Nacional de Pesquisas (RNP), do Ministério da Ciência e Tecnologia, José Luiz Ribeiro Filho, o primeiro consórcio formado pela Engeredes vai permitir uma interligação entre as Redes Metropolitanas de Alta Velocidade (Remavs), consideradas como o primeiro passo para a implantação do sistema Internet 2 no Brasil. A previsão, disse ele, diretor de Uberlândia em videoconferência, é de que até meados do próximo ano já estejam em operação 14 Remavs. Inicialmente, a Enegeredes vai atuar apenas em quatro (São Paulo
Campinas, Goiânia e Brasília).
"O objetivo desse projeto é descentralizar a informação médica, interligando centros complexos aos mais carentes, permitindo diagnóstico à distância e viabilizando prontuários a distância", comentou. O Projeto Internet 2 ainda é novidade na América Latina. Lançado em fevereiro deste ano pelo presidente norte-americano Bill Clinton, o projeto prevê a construção de redes ópticas de alta resolução para proporcionar bases para uma Internet 300 vezes mais rápida que a usual, que estaria sendo disponibilizada inicialmente apenas à área acadêmica, no caso para a Telemedicina e Tele-Educação.
O técnico da Engeredes em Uberlândia, Cláudio Lima, disse que ainda não existem custos estimados para a transmissão de um serviço de telemedicina como o que foi apresentado hoje para público presente em Ribeirão Preto. "Trata-se de um projeto piloto, no qual tivemos que investir mais porque não possuíamos a infra-estrutura toda instalada, mas para os próximos já haverá uma organização maior e investimentos menores", explicou.
Segundo Rômulo Borges Machado, responsável pelo setor de serviços interativos da CTBC-Telecom, no entanto, já existem pelo menos dois eventos semelhantes ao de hoje que deverão ocorrer em Uberlândia no próximo mês. O primeiro deles foi "comprado" por uma empresa fabricante de um equipamento utilizado para fazer a cirurgia. "Fica mais viável para a empresa trazer um médico de fora do País para realizar a cirurgia para um grupo de médicos que assistirão sua atuação nesse novo sistema, do que trabalhar com a divulgação do produto de maneira convencional", comentou ele.

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