Brasília, 26 (AE) - O diretor da Tele Norte Leste Participações (Telemar), Otávio Marques de Azevedo, afirmou hoje que os problemas na prestação de serviços de telefonia que ocorrem em São Paulo e no Rio de Janeiro não poderiam ser evitados, mas estarão resolvidos até o fim deste semestre. "É um desconforto causado pelo benefício da expansão, mas será temporário", afirmou Azevedo. "Em agosto, estes problemas estarão superados", garantiu.
Azevedo foi empossado hoje como representante das empresas de telecomunicações no conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) até 2002. Segundo ele, problemas como telefones mudos, números trocados ou transferidos para outros endereços, são comuns em casos de expansão de rede de telecomunicações. "Não há como evitá-los, pois é uma interferência brutal na rede urbana de cabos e fiações", disse.
Ainda assim, Azevedo considera justas as reclamações dos usuários sobre a qualidade dos serviços. "Isto provoca paralisações e problemas que a sociedade tem razão de reclamar".
A Telemar só deve pedir à Anatel a autorização para reorganização societária, com inclusão do grupo La Fonte e da Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar), quando a agência autorizar a transferência das ações da holding do consórcio Telemar para a empresa Telemar Participações. Enquanto isto, os dois novos sócios da holding participam normalmente das decisões e reuniões da empresa. "Eles pagaram pelo direito de exercer opções de compra das ações, assim que a a Anatel autorizar", disse Azevedo.
Segundo ele, o grupo La Fonte, do empresário Carlos Jereissati, pagou para ter o direito de adquirir 14,6% das ações ordinárias da Telemar. A BNDESPar pagou por 25% das ações. A movimentação entre os sócios da Telemar pode ir contra o regulamento sobre transferência de ações e controle acionário das empresas do setor. Em fevereiro, a Anatel publicou um regulamento que não permite que o grupo controlador originário das empresas de telecomunicações seja modificado até cinco anos depois da privatização.
Com a entrada do La Fonte e do BNDESPar, o grupo controlador originário da Telemar na privatização terá menos que 50% mais uma ação, contrariando a regulamentação. A expectativa é que a Anatel determine que seja desfeito o negócio, com base na resolução 101.

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