Porto Alegre, 20 (AE) - Os telefônicos da região metropolitana de Porto Alegre fazem amanhã (21) uma paralisação de duas horas no começo da manhã. O protesto foi decidido no último sábado, durante assembléia, e servirá para retomar a mobilização da categoria. Os funcionários estão sem aumento há 26 meses e tiveram sua negociação salarial prejudicada pela indefinição administrativa na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O conselho de administração da empresa deveria ter sido escolhido na última quinta-feira, mas um conflito de interesses inviabilizou a assembléia de acionistas. Eles reivindicam 12,23% de reajuste.
"Vamos fazer operações de surpresa em todos os locais de trabalho em protesto por causa do retrocesso nas negociações", explicou o presidente do Sindicato dos Telefônicos (Sinttel), Jurandir Leite. Além da paralisação de duas horas, os funcionários adotarão outras medidas que só serão conhecidas no momento do protesto. A intenção dos telefônicos, segundo o dirigente, é aprovar sua greve junto a de outras categorias, como o magistério gaúcho e os juízes federais, que paralisam suas atividades no dia 28.
Em Porto Alegre, haverá outra assembléia na terça-feira (22) para decidir se eles vão se unir aos outros movimentos.
As outras regionais dos telefônicos realizam assembléia amanhã (21) para definir suas formas de mobilização. "Esperamos que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que criou este pandemônio, resolva a situação", afirmou Leite. O governo gaúcho enviou, na semana passada, uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo providências da Anatel para assegurar a continuidade dos serviços da CRT.
As mudanças administrativas na CRT começaram no dia 4, quando a Anatel determinou o afastamento da Telefônica, acionista majoritária do consórcio Tele Brasil Sul (TBS). O grupo deveria ter negociado suas ações até aquela data para cumprir o Plano Geral de Outorgas do setor, que lhe impede de deter o controle de duas telefônicas - já possui o da Telesp - em áreas diferentes. A Telefônica negocia o controle da CRT com o consórcio Tele Centro Sul (TCS), que administra a empresa em caráter temporário. No dia 17, a assembléia deveria ter escolhido o conselho de administração.

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