São Paulo, 31 (AE) - A Telefônica anunciou hoje que vai recorrer contra a multa de R$ 3 milhões anunciada pelo Ministério da Justiça. A multa foi aplicada com base em seis artigos do Código de Defesa do Consumidor desresrespeitados pela concessionária de telefonia fixa no Estado de São Paulo. O presidente da Telefônica, Fernando Xavier Ferreira, disse que o recurso será apresentado na semana que vem.
"Estamos sendo injustiçados", afirmou Xavier, alegando que os problemas sofridos pelos assinantes paulistas nos últimos meses decorrem de obras necessárias para a expansão da rede. Ele garantiu que o serviço vai começar a melhorar a partir da semana que vem. Na semana passada o ministro da Justiça, Renan Calheiros, declarou que o serviço da Telefônica está "uma confusão, um samba do crioulo doido". O presidente da República
Fernando Henrique Cardoso, também lamentou a situação da telefonia em São Paulo. Na Internet já foram criados dois endereços intitulados "Eu odeio a Telefônica".
Para tentar reverter a onda de críticas, a empresa contratou uma grande agência de publicidade para preparar uma campanha institucional. A campanha tenta convencer os assinantes de que os transtornos são passageiros, mas os benefícios serão permanentes. O presidente da Telefônica anunciou que a empresa está conseguindo antecipar a entrega dos Planos de Expansão já vencidos herdados da gestão estatal, apesar da recente decisão da companhia espanhola de reduzir de US$ 4,5 bilhões para US$ 3 5 bilhões os investimentos no Brasil este ano.
A empresa tinha como objetivo chegar ao fim de março com 55 mil planos vencidos não entregues, mas tem hoje 25 mil. "Vamos encerrar a fila de espera dos planos de expansão com 30 dias de antecedência", afirmou Xavier. O executivo disse que a parte mais traumática das obras para a instalação de 50 novos centros telefônicos terminam esta semana. A capacidade das antigas centrais estava esgotada. Durante o mês de março a empresa instalou 150 mil novas linhas, três vezes mais do que a média mensal da Telesp antes da privatização.
Por causa dos cortes de redes e problemas decorrentes das mudanças na fiação, o índice de queixas explodiu. No final do ano a empresa tinha uma média de quatro reclamações por mês para cada grupo de cem assinantes. Atualmente o índice é de 6,8. Só não é mais alto porque muitos assinantes não conseguem falar com a operadora para reclamar, por causa do congestionamento na central de atendimento ou pelo simples fato de que os telefones foram cortados.
A empresa está prometendo melhorar o atendimento, antecipando-se aos índices de qualidade fixados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Na semana passada a Anatel concluiu uma auditoria na empresa e agora os diretores estão avaliando a possibilidade de aplicar uma multa de até R$ 40 milhões em virtude dos problemas verificados no atraso na entrega de planos de expansão. Até o final de abril, a empresa promete atender a 90% das reclamações sobre defeitos em até 72 horas, e as restantes em até cinco dias. Até maio, a empresa quer atender a 85% das queixas em até 48 horas e as restantes em no máximo cinco dias. em junho, 90% serão atendidas em 24 horas e as restantes em até tr$s dias.

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