Telefônica terá de cumprir metas, mesmo com investimento menor
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 10 (AE) - A Telefônica será obrigada a cumprir as metas estabelecidas nos contratos de concessão, mesmo com a redução anunciada de R$ 1 bilhão nos investimentos já previstos para 1999. A afirmação foi feita hoje pelo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro. Ele admitiu que a agência ficou preocupada com esta redução no volume de investimentos no mercado de telecomunicações e na economia brasileira.
"Evidente que esta diminuição no volume de investimentos causa algum tipo de preocupação, na medida em que quanto mais recursos uma empresa coloque no mercado há mais geração de emprego, movimenta a economia e proporciona instalação de maior o número de terminais", afirmou Guerreiro. A agência não aceitará, porém, que esta redução de investimentos seja justificativa para o descumprimento das metas contratuais da empresa no Brasil.
"A empresa terá que cumprir as metas e nós sabemos que eles farão isto", disse o presidente da Anatel. "Não vai ser este R$ 1 bilhão que vai fazer eles deixarem de cumprir as metas."
Antes de cumprir as metas, porém, a Anatel quer que a Telefônica resolva os vários problemas de prestação de serviços que afetam a qualidade das telefonia em São Paulo.
Cortes - Na terça-feira, o presidente da empresa no Brasil, Fernando Xavier Ferreira, informou que foram cortados R$ 1 bilhão nos investimentos projetados para este ano. Os R$ 4,5 bilhões anunciados em novembro passado foram reduzidos para R$ 3 5 bilhões, segundo Ferreira, em função dos ganhos de custos e melhor aproveitamentamento da estrutura existente.
Na reunião realizada com a Anatel, no dia 29 de janeiro, Ferreira não chegou a informar a redução dos investimentos, mas manteve a disposição de atender a todas as metas e prazos do contrato. "Não falamos de investimentos na reunião porque o que interessa para nós é o cumprimento das metas", disse Guerreiro.
O presidente da Telefônica Internacional, Juan Vilalonga
também não mencionou o fato ao presidente Fernando Henrique Cardoso na visita de cortesia que fez na sexta-feira passada.
Para Guerreiro, o mais preocupante é a redução dos investimentos no País que a decisão representa. "A Anatel tem uma responsabilidade governamental sobre o setor de telecomunicações, que envolve investimentos, a indústria de equipamentos, a geração de empregos e outros fatores que estão relacionados com as telecomunicações", disse Guerreiro. "A redução de R$ 1 bilhão de investimentos no País é significativa."


