Telefónica surpreende e anuncia reestruturução de US$ 18,5 bilhões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
por Vladimir Goitia 
São Paulo, 13 (AE)- A Telefónica, a maior companhia privada da Espanha, fará uma oferta pública de ações (OPA) de cerca de 18 bilhões de euros (US$ 18,5 bi) para comprar as ações no mercado e ampliar para 100% a sua participação nas suas principais subisdiárias latino-americanas: Telesp, na qual detém 25,37%, Telesudeste Celular (17,6%), Telefónica Argentina (51%) e Telefónica Peru (36,44%).
A oferta, que será apresentada aos acionistas das subsidiárias latino-americanas, inclui um prêmio de 40% sobre o preço dos últimos cinco dias anteriores ao dia do anúncio da OPA. Em entrevista à Agência Estado, por telefone de Madri, o responsável pela área internacional de comunicações da companhia
Edward Holland, disse que o objetivo dessa operação é dar continuidade à política de divisão da Telefónica em áreas de negócios.
Holland explicou que uma delas será a Telefónica Móviles
que unificará todas as operadoras de celular da companhia no mundo, com 14 milhões de clientes, transformando-se na 5ª ou 6ª do setor no planeta. A outra divisão será a Telefónica DataCorp, que vai concentrar a transmissão de dados, passando a ser a 2ª maior empresa especializada em Dados/IP no mundo por cifra de negócios. Uma terceira estrutura do grupo, porém não confirmada por Holland, englobaria toda a telefonia fixa da Telefónica no mundo.
De manhã, as ações da Telefónica dominavam os negócios na Bolsa de Madri. As ações da companhia abriram com ganho de 4% e, às 10h30 (de Brasília), disparavam 13%, para 25,95 euros. O anúncio de consolidação das atividades da Telefonica na América Latina também impulsionava os papéis de suas outras unidades. A Terra Networks avançava 10%. Em São Paulo, as ações da Telebrás na Bovespa dispararam 12% logo na abertura em reação à notícia.
Troca de ações - A operação bilionária da Telefónica deve ser feita mediante um intercâmbio de ações das empresas latino-americanas por ações da Telefónica, a matriz do grupo. Para concretizar essa operação, a maior já realizada pela Telefónica em toda a sua história, a companhia fará um aumento de capital, que será comunicada na Assembléia Extraordionária de Acionistas no dia 4 de fevereiro. O aumento de capital da Telefónica vai somar-se ainda os recursos provenientes do fundo Hicks Muse Tate & Furst, com quem vai dividir os ativos de sua participação nos meios de comunicação na Argentina. Ontem (12), quando a Bolsa de Madri fechou, a Telefónica, com 3 26 milhões de ações no mercado com um valor nominal em euro, estava cotada em cerca de 75,2 bilhões de euros (US$ 77,6 bilhões).
Nesse patamar de preço, o aumento de capital seria de 18% ou 20% do valor atual da companhia. Holland informou ainda que a operação poderá ser concluída entre março e abril deste ano. A Telefónica vai solicitar que suas novas ações comecem a ser negociadas na Bovespa, na Bolsa do Rio de Janeiro, na Bolsa de Buenos Aires e na Bolsa de Lima.
Outro objetivo dessa operação bilionária é defender-se de possíveis tentativas de aquisição por parte da concocrrência, já que a companhia estaria entre as mais baratas do setor de telecomunicações no mundo, de acordo com o jornal "El País", que cita fontes da companhia. A nota oficial distribuída à meia-noite de ontem em Madri, por exemplo, diz que o objetivo da operadora é "fazer dos acionistas das subsidiárias latino-americanas participantes do grande potencial de seu projeto global". A companhia espanhola tem como sócios na América Larina a alguns dos fundos de investimento norte-americanos mais agressivos do setor e os poderosos fundos latino-americanos de pensaão, que há alguns dias teriam manifestado certo temor sobre os planos de concentração dos ativos da Telefónica na matriz.
Telesp - A Telesp tem 3,122 milhões de acionistas no Brasil. Segundo dados do IAN (Informações Anuais) da companhia, 76,66% das ações da Telesp estão em mercado. Ou seja, cerca de 256 bilhões de papéis. Há 334 bilhões de ações da Telesp, no total. A SP Telecomunicações (holding controladora da Telefónica) tem 19,26% do capital total. A Previ é o maior acionista minoritário da Telesp, com 4,08% do capital total. Em relação às ordinárias, a Telefónica tem 51,79% do total. A Previ tem 5,39% e o restante dos acionistas têm 42,82%.
O total de ações ordinárias é de 124 bilhões. Estão no mercado, portanto, 53 bilhões de ON. Quanto às preferenciais, a Telefónica não tem posição. A Previ tem 3,30%. Todo o volume de PNs está no mercado. São 96,7% das ações. Há 210 bilhões de PNs no mercado. Estimativa muito aproximada, caso todos os acionistas da Telesp decidam vender suas ações para a Telefónica
e caso os preços das ofertas sejam de fato de R$ 58,12/mil e de R$ 35,77/mil (conforme cálculos não-oficiais da Agência Estado), indica que o gasto da companhia seria da ordem de R$ 14 bi, ou US$ 7,7 bi pela taxa de câmbio comercial de ontem. (Colaboraram Alcides Ferreira e Patrícia Lara)


