São Paulo, 09 (AE) - A Telefônica, que controla quatro companhias de telefonia no Brasil, cortou em R$ 1 bilhão o volume de investimentos projetado para este ano. O presidente da empresa, Fernando Xavier Ferreira, justificou à AGÒNCIA ESTADO que a redução de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,5 bilhões é decorrente de ganhos de custos e otimização da estrutura existente.
As metas físicas da Telefônica, com instalação de 2 milhões de novas linhas fixas em São Paulo e mais de 730 mil celulares no Rio e Espírito Santo, serão mantidas, segundo Ferreira. Ele negou que a desvalorização do real tenha afetado o plano original de investimentos da Telefônica no Brasil, anunciado em novembro pelo presidente mundial Juan Villalonga.
Ferreira esclareceu que, dos R$ 3,5 bilhões que serão investidos este ano, mais de R$ 3 bilhões (cerca de 85%) são capital próprio das operadoras. O restante deve ser financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O presidente da Telefônica explicou que apresentou ao BNDES um projeto de financiamento para compra de equipamentos estimado em R$ 2 bilhões em dois anos.Desse total, a empresa deve assumir pelo menos R$ 1,2 bilhão ou 60%. O BNDES propõe-se a financiar até 40% do projeto.
Redução - O investimento originalmente anunciado para São Paulo caiu de R$ 3,6 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Na Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), do Rio Grande do Sul, o investimento será de R$ 400 milhões. Na Tele Sudeste Celular (RJ e ES), de R$ 350 milhões, e na Tele Leste Celular (BA e SE), de R$ 100 milhões.
"Fizemos uma reanálise para buscar ganhos onde possível", afirmou Ferreira. "Conseguimos isso reequacionando o projeto sem detrimento dos números que dizem respeito ao usuário", acrescentou.
Segundo Ferreira, o impacto da desvalorização do real é "muito pequeno" nas empresas controladas pela Telefônica, porque têm "pouquíssimo endividamento em dólar" e a dívida é de longo prazo.
"O maior efeito é na aquisição de equipamentos", observou. O presidente da Telefônica argumentou que uma das formas de buscar ganhos no projeto de expansão é otimizar o sistema já existente.

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