São Paulo, 10 (AE) - A Telefônica está conseguindo economizar na instalação de linhas com a redução dos preços dos serviços de engenharia de rede - as obras de rua que se espalham por toda a capital paulista. Esse é um dos fatores que possibilitou à Telefônica cortar R$ 1 bilhão nos investimentos previstos para este ano.
A Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Engenharia de Telecomunicações (Abecortel) ainda não tem cálculos prontos, mas já informou que as empresas do segmento terão que aumentar muito a produtividade para manter o nível de faturamento anual de R$ 3 bilhões, apesar do aumento das encomendas. Mais de 360 empresas atuam nessa área.
"Tem que ter maior produtividade, e o nível de exigência de qualidade cresceu a um custo que a Telefônica está disposta a pagar que é menor", afirmou o diretor-executivo da Abecortel, Marcelo Rocha. "Eles adotaram novos modelos de aquisição com preços diferentes", acrescentou. "A verdade é que o preço caiu."
Segundo ele, a Telefônica adotou uma tabela de pagamentos diferente da antiga Telebrás. Embora os contratos herdados da estatal que ainda estão sendo cumpridos tenham sido renegociados pelos controladores espanhóis, as novas obras acertadas diretamente com a Telefônica só agora começam a ser executadas.
Mas os novos procedimentos não assustam as empresas de engenharia de rede. Para Rocha, a perspectiva para este ano é otimista. "Muito mais em razão das metas das operadoras do que propriamente pelo quadro nacional", afirmou. A Telefônica apenas promete instalar 2 milhões de linhas no Estado este ano.
Como o principal insumo dos serviços de engenharia de rede são a mão-de-obra local, paga em reais, a desvalorização da moeda não deve promover alta dos preços. Apenas um aumento de combustível teria que ser embutido nos custos.
Cálculos da Abecortel indicam que a mão-de-obra no setor pode se expandir 25% nos próximos anos. Em todo o País, são hoje cerca de 50 mil trabalhadores de nível básico, entre cabistas e instaladores, que desenvolvem a atividade principal na rua conectando linhas. Em todo o segmento, são 100 mil profissionais.

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