Brasília, 17 (AE) - O presidente da Telefônica da Espanha, Juan Villalonga, defendeu hoje a participação dos fundos de pensão na operação de intercâmbio de ações de suas subsidiárias no Brasil (Telesp e Tele Sudeste Celular) durante encontros com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e das Comunicações, Pimenta da Veiga. Ele espera que a medida seja autorizada pelas comissões de valores mobiliários dos países envolvidos no máximo até início de maio. A operação de troca de ações também será feita pelas subsidiárias da empresa na Argentina e no Peru.
Segundo Villalonga, é importante que os fundos de pensão atuem na negociação da troca de ações já que eles são acionistas das subsidiárias da multinacional no País e que essa participação é permitida pela legislação brasileira. Ele garantiu ao presidente Fernando Henrique que o investidor terá vantagens ao adquirir ações de Telefônica S.A. "Os acionistas minoritários terão interesse, pois serão sócios de uma empresa global com base em vários países", disse o presidente da multinacional.
Ele explicou que o preço médio das ações será calculado com base nos últimos cinco pregões na bolsa de valores até a quarta-feira da semana passada, dia 12. Em cima desse valor, a Telefônica vai pagar um ágio de 40% sobre as ações de suas subsidiárias. Para assegurar a liquidez aos investidores, a Telefônica solicitará a cotação de suas ações nas bolsas de valores de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires e Lima.
O presidente da maior empresa de telefonia do Brasil comunicou a Fernando Henrique a decisão de ampliar os investimentos no País. Neste e no próximo ano, serão investidos R$ 8,4 bilhões, o que garantirá o ingresso de R$ 12 bilhões desde 1999. "É um investimento expressivo, que não tem nada a ver com esta operação", disse o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, referindo-se à troca de ações.
Villalonga admitiu a disposição em investir em novos serviços de telecomunicações no País, como o Personal Comunication System (PCS), a chamada banda C da telefonia celular, que inclui transmissão de dados e voz.
O governo ainda não tem uma posição definida sobre os efeitos dessa operação de intercâmbio de ativos no mercado brasileiro. "Não posso medir os efeitos, pois é uma operação que tem de ser bem medida", avisou Pimenta. Ele ressaltou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está analisando essa operação, tendo como base a legislação brasileira de telecomunicações.
Segundo Pimenta da Veiga, Villalonga garantiu que tudo será feito respeitando a legislação brasileira. O ministro das Comunicações ressaltou que a sua principal preocupação é a manutenção da concorrência no setor de telecomunicações. "Esse é o primado básico da privatização", afirmou Pimenta da Veiga. O presidente da multinacional disse que serão disponibilizadas 922 milhões de ações da Telefônica na operação de intercâmbio.

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