São Paulo, 02 (AE) - A Telefônica vai lançar na próxima semana o último grande processo de contratação de linhas telefônicas para acabar com a lista de espera no Estado até meados de 2001. A empresa vai contratar a instalação de três milhões de linhas, num valor estimado de R$ 1 bilhão, apostando que antecipará, assim, as metas de universalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em dois anos e meio. Quando conseguir instalar telefones em menos de três semanas em qualquer parte do Estado, a Telefônica estará liberada para atuar em outros segmentos das telecomunicações.
"Nunca vi um horizonte tão nítido para o fim da lista de espera", afirmou o vice-presidente de Redes da Telefônica, Ivan Campagnolli, que é o responsável pela expansão e manutenção das linhas. Este ano serão instalados dois milhões de novos telefones, metade deles na Capital. Em cerca de 40 cidades de pequeno porte no Interior ele vai testar também a tecnologia sem fio adotada pela concorrente Vésper.
Campagnolli esclareceu que a Telefônica não vai aumentar o volume de instalação que vem sendo praticado - em dezembro, foram 188 mil linhas e, em janeiro, 170 mil - para atingir a meta. Nos primeiros meses de 1999, a Telefônica bateu recordes de reclamações por causa da ofensiva de instalação de linhas para atender aos contratos dos antigos planos de expansão.
Atualmente, segundo Campagnolli, as metas de qualidade superam as exigências da Anatel, como o índice de 2,8 reclamações por cem usuários ao mês. O índice máximo aceito pela Anatel é 3. Parte das obrigações do vice-presidente da Telefônica é ler as cartas reclamando da empresa publicadas praticamente todos os dias nos jornais. Ele admite que as queixas existem e vão continuar em cerca de 240 mil ao mês. "Isso é o dia-a-dia de uma empresa de telecomunicações", afirmou. A marca de 240 mil reclamações ao mês está dentro dos limites definidos pela Anatel de 3 reclamações para cada 100 usuários.
Para dividir a responsabilidade pela qualidade do serviço, a Telefônica vai passar a exigir o cumprimento de metas das empresas subcontratadas para obras externas de expansão da rede. Essas empresas poderão receber bônus de até 15% sobre o valor do contrato se superarem as metas de qualidade. Por outro lado, haverá descontos na mesma proporção se houver grande número de defeitos.
Segundo Campagnolli, as empresas que fazem a manutenção externa da redes são remuneradas ainda hoje pelo número de defeitos que consertam, uma herança da estatal Telebrás. Essa prática será alterada nas regras da nova licitação, que serão divulgadas no dia 7. Essa medida vinha sendo estudada desde julho. Para avaliar se seria possível mudar as regras de um jogo de tantos anos, a Telefônica contratou as consultorias McKinsey e Bureau Veritas por R$ 4 milhões.
"No período crítico de março, abril e maio percebemos que mantivemos uma indústria de defeitos", afirmou Campagnolli. À época, a Telefônica não conseguia identificar nem mesmo a empresa que havia instalado linhas trocadas. Com a nova proposta
a expectativa de Campagnolli é a de identificar até o técnico que venha a fazer uma cobrança ilegal. Entre julho e novembro, 600 técnicos foram demitidos por incapacidade ou por cobrar por fora.
"Tem que ser um projeto que não dê errado porque estamos delegando as metas de expansão para essas empresas", declarou Campagnolli. Mas ele está tão confiante que até já considera tirar férias a partir de julho do próximo ano. "Serão mais três milhões de linhas e acabou", disse, justificando que, com a demanda atendida, a Telefônica vai crescer 6% ao ano. Sobre a concorrência da Vésper, Campagnolli é irônico: "É bom porque agora tenho companhia para dividir a expectativa da população".

mockup