Porto Alegre, 14 (AE) - O Sindicato dos Telefônicos (Sinttel) no Rio Grande do Sul acusou a Telefónica de España de suspender obras no estado e transferir material da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), da qual é controladora, para São Paulo, onde controla a Telefônica (antiga Telesp). "A empresa (CRT) está sendo sucateada em troca da salvação da Telesp", acusa o Sinttel em nota publicada "a pedido" no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, em sua edição de hoje.
No texto, o sindicato afirma que "foram paralisadas grande quantidade de obras no estado", reduzidos os investimentos em telecomunicações e enviados técnicos para São Paulo. Não há, porém, esclarecimentos sobre quais obras estariam interrompidas ou informações sobre os equipamentos que teriam sido transferidos para a Telefônica. Também inexistem números sobre a pretensa diminuição de investimentos.
A Telefónica de España, junto com o grupo gaúcho Rede Brasil Sul (RBS), Portugal Telecom e Iberdrola, comprou a CRT, privatizada no governo Antonio Britto (PMDB) em Junho de 1998. O sindicato interpreta que o grupo espanhol terceirizou serviços "de forma abusiva e irresponsável", demitindo 300 trabalhadores no final de 1998. Isto teria sido feito "apenas para obter redução de custos e mais lucros".
Cita o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Navarro Guerreiro, que identificou uma correlação entre demissões e a onda de problemas na antiga Telesp. "Demitir funcionários altamente especializados para trocar por mão-de-obra barata terceirizada já arruinou a Light, está arruinando a Telesp e começa a arruinar a CRT", sustenta o Sinttel.
No entendimento da entidade, a Telefónica "preferiu a Telesp" por um motivo simples: ao adquirirem a ex-estatal paulista, os espanhóis teriam que forçosamente abrir mão do controle da CRT dentro de um prazo de 18 meses, que termina em dezembro deste ano.
No final da tarde, através de sua assessoria, a CRT informou que não comentaria as acusações.

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