Telefônica e Global Crossing vão instalat redes submarinas
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Carla Jimenez 
São Paulo, 11 (AE) - A disputa em telecomunicações vem se dando até embaixo d´água com a evolução no número de internautas. A espanhola Telefônica e a Global Crossing, empresa da Ilha de Bermuda, anunciaram hoje, durante a Americas Telecom, o lançamento de suas redes submarinas, os chamados backbones, na América do Sul, que vão possibilitar o fim da letargia para acessar a Internet e baixar arquivos, além de reduzir significativamente o custo do acesso para as empresas e provedores, que serão repassados para o usuário final. Os backbones são cabos de fibra ótica com bandas mais largas, ou seja, permitem a transmissão de uma quantidade maior de dados e a uma velocidade pelo menos 100 vezes superior. "Nos Estados Unidos a cada 100 dias se duplica a largura das bandas", calcula José Manuel Muñoz, diretor da Emergia.
A Telefônica criou a empresa Emergia há um ano para instalar 23 mil quilômetros de redes ao redor da América Latina, que terá uma capacidade de 40 gigabits, evoluindo para 1,92 terabits nos próximos anos. Com essa capacidade será possível multiplicar por 100 a velocidade de acesso a dados. Isso quer dizer o fim da irritação quando se visita os sites mais procurados. "Trinta milhões de latino-americanos poderão acessar rapidamente a Internet ao mesmo tempo", diz José Muñoz, que estima uma redução de 50% a cada três anos com a ampliação das bandas para o tráfego de dados.
Outro indicador que ajuda a visualizar a evolução trazida com essa tecnologia é o índice de "latency", algo como índice de atraso, que foi levantado pela Global Crossing para conhecer o estágio qualitativo do acesso à Internet na América Latina. " Aqui esse índice é de 500, enquanto no resto do mundo não passa de 100", explica James Meaney, vice-presidente de vendas e novos negócios da Global Crossing para América do Sul, que garante o fim desse gap com o início das operações do backbone em outubro. A empresa está investindo US$ 2 bilhões na sua rede latina, que vai completar a rede mundial da empresa, que abrange todos os continentes, como exceção da áfrica.
A Telefônica também já tem outro backbone na Europa. A partir de agosto a parte latino-americana entrará em operação oferecendo velocidade aos provedores de Internet e para o mercado corporativo através das empresas Telefonica inicialmente e depois para outros clientes. A empresa investiu inicialmente US$ 1,6 milhão até agora no projeto da Emergia para o continente. Espera faturar US$ 400 milhões a partir do ano que vem.
Competição - Com a entrada dos backbones da Telefônica e da Global Crossing, são cinco as redes de cabos submarinos que mergulharam em águas brasileiras - que representa pelo menos 80% do mercado de telecomunicações, segundo James Meaney, da Global Crossing. As outras redes são de consórcios de empresas.
Entre a América do Norte e Europa, há pelo menos 20 empresas disputando o fundo do mar. Trata-se de um mercado que gera empregos para mergulhadores, que viajam o mundo calculando o melhor local para instalar os cabos para que não sejam afetados por mordidas de tubarões ou anzóis e lanças de pescadores. A Global Crossing tem uma equipe de 1,2 mil pessoas em um frota de cinco navios que giram o mundo para instalar sua rede e enterrar os cabos em alguns pontos. A empresa já teve de atrasar algumas instalações por conta do nascimento de tartarugas no Caribe, teve operações interrompidas na Colômbia por bombas de guerrilheiros e já enfretou até bloqueio de pescadores em Los Alguneles.


