Brasília, 14 AE) - A Telefônica e a Embratel continuaram hoje a troca de acusações sobre a responsabilidade pela pane no sistema DDD ocorrido na semana passada no estado de São Paulo. As duas empresas se reuniram hoje em Brasília com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ambas tentaram convencer o órgão regulador do setor sobre a ausência de culpa de cada uma nos problemas durante a implantação das novas regras na discagem nas chamadas de longa distância.
A Telefônica quer que o governo deixe claro à população que quatro das seis centrais da Embratel não funcionaram no dia do início da mudança do sistema DDD (3 de julho). Na semana passada, o ministro das Comunicações e o presidente da Anatel, Renato Guerreiro, chegaram a atribuir a falhas técnicas ocorridas nas centrais da Embratel a maior parte dos problemas nas chamadas de longa distância em São Paulo. Ao longo da semana
no entanto, eles evitaram apontar responsáveis diretos e preferiram diluir a responsabilidade entre todas as operadoras.
A Embratel, por outro lado, rejeitou assumir sozinha a culpa e rebateu as acusações, afirmando que a Telefônica até hoje não havia preparado suas centrais para fazer a interconexão com a operadora de longa distância nacional. Por esse motivo, a Embratel continua utilizando a rede da Telefônica para escoar parte das ligações interurbanas que utilizam como prestadora do serviço o código 21.
O diretor de Engenharia da Embratel, José Luiz Rivera, disse que entregará sexta-feira à Anatel o relatório com a análise da empresa sobre os problemas registrados. "Tudo ficará muito claro", afirmou.
Para desmontar o discurso da Embratel, um dos documentos que a Telefônica usou durante a reunião foi a ata da reunião realizada na Anatel em 15 de junho, da grupo técnico que coordenou a mudança. Na ata, a Embratel declara que "as suas solicitações à Telefônica de interconexação de rede e utilização de linhas digitais foram resolvidas, não existindo qualquer pendência em relação à questão".
A Telefônica insiste ainda que em sua área área de atuação, ou seja, dentro do estado de São Paulo, em nenhum dia da semana passada o percentual de ligações completadas ficou abaixo da média de 55%, considerada normal pela Anatel.
Maratona - A maratona das duas empresas começou pela manhã, quando o presidente da Telefônica do Brasil, Fernando Xavier Ferreira, teve uma reunião com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Xavier Ferreira saiu do encontro afirmando que não aceita a tese da co-responsabilidade da empresa com a Embratel pela pane no sistema DDD.
Ele informou ainda que a empresa quer que a Embratel pare de trafegar pela rede da Telefônica parte dos interurbanos com o código 21.
No início da tarde, essas informações foram rebatidas pelo diretor de Engenharia da Embratel, José Luiz Rivera. Antes de se reunir com a direção da Anatel, Rivera disse que "boa parte dos problemas ocorreu porque a Telefônica, até hoje não preparou suas centrais para fazer a interconexão com a rede da Embratel".
De acordo com Rivera, no momento que a Telefônica preparar suas centrais para a interconexão, a Embratel deixará de trafegar parte das chamadas pelo código 21.
Para evitar uma sobrecarga maior na rede durante o processo de mudança no sistema DDD, a Embratel pediu à Telefônica para utilizar sua rede como forma de escoar o tráfego que deveria ser da Embratel - parte das ligações que selecionam o 21 como prestadora do serviço. "Foi uma atitude de boa vontade da Telefônica, onde prevaleceu o bom senso e o interesse do usuário", afirmou o vice-diretor de Operações da Telefônica, Ivan Campagnolli.

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