São Paulo, 13 (AE) - Com a entrega de todos os planos de expansão vencidos e ainda a vencer nos próximos meses, a Telefônica espera dar um fim ao que restava da "era Telesp" e dar início à sua expansão real, como empresa privada. Com planos de instalar 2 milhões de linhas só este ano, com investimentos de R$ 2,5 bilhões, a companhia pretende decidir até meados de maio quem serão os seus fornecedores dessa nova etapa, cujas obras deverão ter início no segundo semestre.
De acordo com o vice-presidente de operações da Telefônica, Ivan Campagnoli, ao entregar todos os planos de expansão pendentes, a empresa pretende dar fim aos contratos de "turn key" (em que a parte contratada é responsável por todas as etapas das obras até a ativação da linha), que estavam em andamento quando a Telefônica adquiriu a Telesp, em julho do ano passado. "Queremos acabar com esses contratos turn key até junho", afirmou Campagnoli. Esses contratos foram feitos, em grande parte, com a Ericsson. Para esta nova fase de expansão da Telefônica, explicou o executivo, serão feitos contratos com um número menor de empresas para que haja um melhor gerenciamento, e serão impostas novas regras de qualidade, e não apenas o quesito de menor preço, como era estabelecido na Telesp. Segundo Campagnoli, a Telefônica dispõe de equipamento para a instalação de 700 mil linhas.
"Falta construir a rede para os outros 1,3 milhão de terminais", afirmou. Só os projetos de expansão da Telefônica vão consumir R$ 1,8 bilhão em investimentos este ano, onde estão incluídos R$ 872,5 milhões que serão aplicados em redes e R$ 426 7 milhões em comutação (centrais telefônicas). A manutenção e operação dessas redes vai levar outros R$ 113 milhões, e R$ 50,9 milhões serão destinados à assistência técnica.
Campagnoli ressaltou que a Telefônica vai dar prioridade para fornecedores nacionais, desmentindo alguns boatos de que a companhia estaria disposta a importar produtos disponíveis no mercado doméstico. "Com o dólar a R$ 1,70, esse tipo de decisão não faria o menor sentido. Seria como dar um tiro no próprio pé", disse. Na última sexta-feira, o presidente da Telefônica, Fernando Xavier Ferreira enviou um fax ao presidente Fernando Henrique Cardoso informando que não estaria comprando equipamentos importados. No dia anterior, FHC havia dado uma entrevista à rádio CBN afirmando que a Telefônica não "poderia deixar de comprar produtos produzidos no Brasil."
Para esclarecer esses rumores, Fernando Xavier Ferreira vai se reunir esta semana com a Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica (Abinee). De setembro de 98 até abril deste ano, a Telefônica já instalou mais de 920 mil linhas. Até maio, informou a empresa, estarão em funcionamento 120 centrais telefônicas na cidade de São Paulo, ante 75 no período da Telesp.

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