Telecomunicações terá dois mil profissionais de plantão na virada do ano
Por Isabel Dias de Aguiar
São Paulo, 28 (AE) - Pelo menos 2 mil profissionais da área de telecomunicações estarão a postos na virada do ano, apenas em São Paulo. As equipes foram escaladas para um plantão que começa às 10 horas do dia 31. Seu objetivo será corrigir eventuais transtornos originados pelo bug do ano 2000. A atenção da maioria dos técnicos estará voltada para os sistemas de telefonia da ásia e Oceania.
Isso porque, se houver pane nas redes daquelas regiões do mundo, as operadoras brasileiras terão até 14 horas para detectar os defeitos e corrigi-los antes que provoquem danos nos sistemas do Brasil.
As redes mais beneficiadas pela vantagem dos fusos horários serão as celulares. Foram, em sua maioria, concebidas durante a década de 90 e por isso, projetadas de forma compatível com a troca dos últimos dois dígitos do calendário. Essas redes são similares à da maioria dos países em desenvolvimento, entre os quais, China, Coréia ou Nova Zelândia.
Os fornecedores de equipamentos também são quase sempre os mesmos, como a Lucent, Motorola ou Net, que também fabricaram a rede digital da Telesp Celular. "Nossos sistemas já foram testados", garantiu o diretor de Negócios da operadora, Gilson Rondinelli Filho. Mesmo assim, o plantão da operadora terá 500 técnicos. "Se algo de irregular acontecer à meia-noite na Nova Zelândia os técnicos saberão disso à 10 horas e terão 14 horas para dar uma solução."
Para a BCP, a operadora que atende a área metropolitana de São Paulo pela banda B, o paradigma será a rede celular de Israel, que tem a mesma tecnologia (TDMA) desenvolvida pelo mesmo fornecedor, a Nortel. São quatro horas de vantagem. Como as demais operadoras, a BCP fez diversas simulações adiantando os relógios de suas centrais de comutação. Nada de irregular foi detectado. Mesmo assim, 200 técnicos estarão de plantão e, como os concorrentes, atentos aos eventos de outros pontos do mundo. "Será apenas uma medida de cautela", afirmou o diretor da operadora, Arnaldo Tibiriçá.
As operadoras de telefonia fixa terão uma dificuldade adicional. Boa parte da tecnologia adotada nas redes brasileiras foi desenvolvida no País. Embora fabricados em indústrias multinacionais, os equipamentos instalados até 1998 têm as especificações ditadas pela antiga Telebrás. Apesar da ausência de uma referência completa, os ténicos vão acompanhar as operações no Exterior. Não há risco para as comunicações, segundo o diretor da Telefônica, Ivan Campagnoli. O que pode ocorrer, e isso é uma possibilidade remota, afirmou, é pane no sistema de cobrança das tarifas.
Congestionamento - É dado como certo o congestionamento nas redes de telecomunicações. Isso ocorre todo ano, mas neste ano pode ser confundido como efeito do bug do ano 2000. Campagnoli informa que o congestionamento na passagem do ano é quase inevitável.





