Tele TV compra Rede Manchete por US$ 608 milhões
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sábado, 08 de maio de 1999
Por Sônia Apolinário Atenção Editor: Vale esta versão!!! 
Rio, 09 (AE) - A Rede Manchete foi vendida hoje para o grupo paulista TeleTV que explorava serviços do 0900 e presta serviço de telemarketing. O negócio foi fechado às 2h entre o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kappeller, atual proprietário da emissora e pelo presidente do TeleTV, Amilcare Dallewo Jr., após quase 12 horas de reunião, realizada no hotel Glória, próximo da sede da TV, na zona sul do Rio. A informação foi dada pelo presidente do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, Márcio Leal e confirmada pela assessoria de imprensa da Manchete.
Os funcionários da emissora, sem receber desde outubro do ano passado, serão oficialmente informados do negócio em uma assembléia, prevista para as 18h de hoje, em frente à sede da emissora. Segundo Leal, Dallewo Jr. voltou a se comprometer a colocar os salários em dia, mas só após a aprovação do negócio pelo governo.
Isso pode levar até um mês para acontecer. Amanhã (10), às 11h, Dallewo Jr. e Kappeller têm audiência marcada com o ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, em Brasília. Eles informarão as base do negócio para que o ministro encaminhe o caso ao presidente Fernando Henrique Cardoso que pode destinar à emissora uma concessão precária. Em seguida, a venda da Manchete será submetida à aprovação do Congresso para que os novos donos recebam a concessão definitiva.
Dallewo Jr. comprou a Manchete por US$ 608 milhões. A TV tem US$ 500 milhões em dívidas com o governo. Pelo contrato, Kappeller leva US$ 1 milhão no ato da assinatura e passa a receber US$ 7,5 milhões por seis anos. Os novos donos têm uma expectativa de faturamento mensal, com a TV, de US$ 30 milhões por mês. No ano passado, em plena crise, o faturamento da Manchete foi de cerca de US$ 10 milhões por mês.
O contrato também prevê que os novos donos têm seis meses para desocupar o prédio da Manchete, no Rio. A sede paulista, porém, pode ser utilizada por 4 anos. Isso porque no prédio do Rio também funciona a editora Bloch enquanto, em São Paulo, TV e editora ocupam dois prédios independentes. Assim, a sede da Manchete deve ser transferida do Rio para São Paulo. Na terça-feira, executivos da TeleTV já devem se instalar na sede paulista da Manchete.
Para fechar esse negócio, Dallewo Jr. teria conseguido um empréstimo de US$ 1 bilhão com a financeira americana Lemmon & Brothers. A TV seria a cabeça de um projeto maior na área de comunicação que faria parte dos planos do empresário. Feita a venda da Manchete, Kappeller deve iniciar, agora, a venda da gráfica Bloch.
Representantes dos trabalhadores da Manchete também vão tentar se encontrar com o ministro Pimenta da Veiga, amanhã. Márcio Leal e o diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Alberto Jacob Filho, irão à Brasília, apesar de não estarem agendados com o ministro. "Acho que seremos recebidos porque o ministro já havia dito que a solução dos problemas da Manchete passavam pelos trabalhadores", afirmou Leal.
Ele explicou que será pedido a Pimenta da Veiga que a sede da emissora não seja transferida do Rio para São Paulo "por não se tratar de uma nova concessão". Além disso vai se inteirar a respeito de detalhes dessa compra. A preocupação de Leal é saber se a negociação incluiu a empresa Bloch, Som e Imagem, criada, segundo o presidente do Sindicato dos Radialistas, "para fugir de obrigações".
"Foi também uma estratégia porque a Manchete estava sendo disputada por outro grupo e, caso os Bloch perdessem, não levariam tudo", explicou Leal. A Manchete estava sendo disputada na Justiça pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do grupo Institudo Brasileiro de Formulários (IBF), que disputa a emissora desde 1992. A resolução desse impasse também estava dificultando a venda da Manchete. A questão foi resolvida há 15 dias com ganho de causa para a família Bloch.
Leal informou que a Bloch, Som e Imagem tem 459 funcionários enquanto a TV Manchete tem outros 900. "É preciso haver sensibilidade para que os novos donos absorvam todas essas pessoas", disse Leal.


