Brasília, 21 (AE) - A Tele Centro Sul, holding de telefonia controlada pela operadora Telecom Italia que atua em nove Estados e no Distrito Federal, apresentou o pior desempenho entre as concessionárias privatizadas do antigo Sistema Telebrás. Ainda assim, o relatório sobre o protocolo de compromissos de metas de qualidade e universalização em 1999, divulgado hoje pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostra que o número de telefones instalados ficou 9 82% acima da meta das empresas e a grande maioria dos objetivos foi atingido.
"Na nossa avaliação houve uma melhoria grande de qualidade dos serviços nas telecomunicações brasileiras desde a privatização", avaliou hoje o conselheiro da Anatel, Antonio Carlos Valente. De acordo com o relatório, no geral, as empresas se comprometeram a instalar 25,283 milhões de telefones mas chegaram a 27,766 milhões. Desde a julho de 1998, o número de terminais cresceu 37%.
Apenas dois indicadores ficaram abaixo da média. A taxa de chamadas interurbanas nacionais completadas entre 20 horas e 22 horas ficou abaixo da meta de 59,72%. As empresas só conseguiram completar 57,95% das chamadas neste horário. Segundo a agência, uma chamada pode não ser completada se o telefone estiver ocupado, se ninguém atender ou se houver congestionamento de linhas. Em julho de 1998 esta taxa era de 52 72%.
O número de erros por mil contas emitidas também ficou acima da meta esperada. As empresas, no conjunto, se comprometeram a ter apenas 4 erros para cada mil contas, mas chegaram a um índice de 4,2.
Ainda assim, a Anatel acredita que houve progressos, já que logo depois da privatização.o número de erros era de 9,94 para cada mil contas. A única holding que atendeu a todas as metas, de acordo com o relatório da Anatel, foi a Telefônica, que controla a Telesp, a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e a Companhia Telefônica Borda do Campo (CTBC). A empresa, que havia se comprometido a ter 7 milhões de aparelhos instalados, terminou 1999 com 8,641 milhões. Todas as metas de qualidade também foram cumpridas pelas empresas controladas pela operadora espanhola.
Das 16 operadoras da Telemar, sete alcançaram todas as metas comprometidas no primeiro semestre de 1998. No geral, a holding não conseguiu alcançar a taxa de 60% do completamento de chamadas no período noturno, entre 20 horas e 22 horas, chegando a um índice de 56,8%. De acordo com o relatório, as operadoras da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Pará, Rio Grande do Norte e Piauí estão em dia com suas obrigações.
"Todas as empresas que não cumpriram as metas estarão sob observação da agência", disse Valente. O não cumprimento das metas de qualidade só poderá levar à punição das operadoras a partir de janeiro deste ano. No ano passado, o acompanhamento do protocolo não implicava em punição. Se os resultados de janeiro continuarem abaixo do compromisso, a agência promete iniciar um processo de punição das empresas.
"Vamos chamá-las para explicar o não cumprimento das obrigações", afirmou o conselheiro da agência. O regulamento da agência permite que as operadoras se defendam e o processo poderá demorar até 120 dias.
Como as informações sobre cumprimento das metas são prestadas pelas empresas, Valente também alertou que serão feitas auditorias periódicas para verificar se a metodologia das operadoras é adequada.
Segundo o presidente da Tele Centro Sul, Henrique Neves, o mal desempenho das operadoras deve-se ao estado precário em que se encontravam as operadoras de Rondônia e Acre, por exemplo. As duas são consideradas as em pior situação em todo o País. "Os números de janeiro serão melhores que os de dezembro", garantiu.

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