Tele Centro Sul negocia compra de ações da CRT
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 14 (AE) - A Tele Centro Sul (TCS), empresa de telefonia fixa que engloba operadoras de nove Estados além do Distrito Federal, está negociando a compra da maioria das ações da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O presidente da TCS, Henrique Neves, revelou hoje que pretende adquirir a participação de 45% que a Telefônica Internacional, do grupo Telefónica, possui na CRT. "Queremos ser majoritários na empresa", afirmou Neves. A TCS já tem 8% das ações ordinárias da CRT.
"Já manifestamos ao presidente da Telefônica no Brasil, Fernando Xavier o interesse de estabelecer negociações", disse Neves. "E nós temos preferência nesta aquisição", afirmou. Pelas regras do Plano Geral de Outorgas (PGO), o grupo de telecomunicações espanhol deverá se desfazer de suas ações na empresa gaúcha até 29 de janeiro do ano 2000, 18 meses depois da privatização da Telebrás.
A Telefônica não pode ter ao mesmo tempo o controle da Telesp Participações e de outra companhia de telefonia em uma região diferente. Segundo analistas do mercado de telecomunicações, a compra das ações da Telefônica é um negócio estimado em mais de R$ 1,2 bilhão. A CRT (fixa e celular) foi privatizada por R$ 1,5 bilhão em dezembro de 1997 e junho de 1998. Segundo o presidente da TCS, a empresa teve conhecimento não oficial do interesse da Portugal Telecom pelas ações da Telefônica.
A TCS já está procurando um financial advisor, empresa que será responsável por providenciar os detalhes financeiros e técnicos para o negócio. A Telecom Italia, empresa que detém 19% das ações da TCS e foi recentemente adquirida pela Olivetti, não colocou entraves à negociação. "O assunto foi conversado com a Telecom Italia e a negociação está prosseguindo", disse Neves. "Ainda estamos nos procedimentos iniciais", ressaltou.
Espelho - A Tele Centro Sul não gostou da possibilidade de a licença para a empresa-espelho de sua região ser dividida por cidades ou Estados. "Estamos analisando com cuidado o assunto tendo como base a Lei Geral das Telecomunicações, o Plano Geral de Outorgas e os editais", adiantou hoje o presidente da empresa, sugerindo que poderá entrar na justiça contra a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A possibilidade de dividir a licença foi colocada na semana passada pela Anatel depois de três tentativas fracassadas de vender a autorização.
No entender da TCS, com a licença fatiada, haverá concentração de interesses em áreas de maior atratividade econômica, em detrimento de outras regiões. Ele citou como áreas mais atraentes os Estados da Região Sul. "Está não é a melhor forma de se fazer a competição", afirmou Neves. Segundo ele, a divisão da licença em áreas menores não significa um "tratamento isonômico" entre as operadoras.


