Tele Centro Sul demite 680 funcionários da antiga Telepar
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 31 (AE) - A Tele Centro Sul, que reúne a telefonia fixa no Paraná, Santa Catarina e Pelotas (RS), demitiu hoje 680 funcionários que prestam serviço no Paraná. O corte representa 16,2% do total de empregados da privatizada Telecomunicações do Paraná (Telepar). O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Paraná (Sinttel) reclama que nem a entidade nem os trabalhadores foram ouvidos.
De acordo com o diretor do Sinttel, Francisco Moreno, os funcionários chegaram para trabalhar hoje pela manhã e receberam a carta de demissão. "As demissões se deram de forma autoritária, sem nenhum processo de discussão com os trabalhadores e, pior, sem nenhum critério", afirmou.
O Departamento Jurídico do sindicato está estudando uma forma de reverter os cortes, enquanto os trabalhadores preparam uma manifestação para quarta-feira.
Os diretores da Tele Centro Sul estavam hoje em Santa Catarina, onde, comentava-se, também seriam anunciadas demissões
assim como na CTMR, de Pelotas (RS). "Mas será em número bem menor que as feitas no Paraná", garantiu uma fonte da antiga Telepar.
Comunicado - Através de um comunicado, a telefônica disse que a estrutura herdada do período monopolista "não é mais compatível com a agilidade e os custos do mercado competitivo que se avizinha".
"Essas medidas vão adequar a Telepar aos desafios da competição e aos compromissos com a qualidade dos serviços, agilidade no atendimento, excelência tecnológica e preços mais competitivos", diz o comunicado.
Segundo a empresa, as demissões foram anunciadas depois de uma "criteriosa revisão da estrutura organizacional". A Telepar afirma que está oferecendo "condições especiais de desligamento".
Os funcionários demitidos receberão, além das verbas rescisórias legais, o pagamento de adicionais que vão variar de acordo com a idade e o tempo de casa. Além disso, uma consultoria especializada vai apoiar e orientar a recolocação dos profissionais no mercado.
O diretor do Sinttel reclamou que a empresa não chamou os funcionários e o sindicato para discutir alternativas que garantissem os postos de trabalho. "É estranho como a empresa decide de forma autoritária a vida de 680 pessoas", disse.
Segundo ele, nem mesmo uma proposta de demissão voluntária foi apresentada. De acordo com o Sinttel, essa atitude contradiz as afirmações do governo, que "não se cansava de alastrar junto à população os futuros benefícios advindos da venda do Sistema Telebrás, principalmente a criação de 100 mil empregos diretos e um milhão indiretos".
Crédito - Um consórcio, que reúne a empresa Telecom Itália, o grupo Opportunity e fundos de pensão de estatais, adquiriu a Tele Centro Sul em julho do ano passado. Segundo o Sinttel, para participar do leilão, o consórcio recebeu R$ 687 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Como o governo pode ter a cara de pau de falar em pacote para gerar emprego se usa o dinheiro do povo para colocar milhares de telefônicos no olho da rua? ", questionou Moreno.


