São Paulo, 6 (AE) - A "teimosia" da Argentina em manter as salvaguardas contra as exportações brasileiras de produtos têxteis pode ser o início do fim do Mercosul. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Paulo Skaf, após saber do fracasso da negociação de Montevidéu entre os países membros do Mercosul. "A teimosia Argentina fere o Tratado de Assunção, que criou o mercado comum, e com isso fere o Mercosul", disse Skaf. "Esta medida é um desrespeito ao bloco comercial e ela enfraquece e divide o Mercosul."
Ele espera que o governo brasileiro reaja com "vigor" e, independentemente de ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) para fazer o país vizinho desistir da resolução, Skaf sugere que seja convocado o Tribunal de Mediação e Arbitragem do Mercosul.
Skaf lembra que o Tratado de Assunção, que criou o Mercado Comum do Sul em 1991, estabeleceu como prazo final para a existência de salvaguardas entre os quatro países membros - Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - o dia 31 de dezembro de 1994. "Existem regras em vigor e ou você cumpre regras ou o jogo termina", afirmou o presidente da Abit.
Segundo ele, a Argentina acumulou um superávit de US$ 250 milhões em exportações têxteis para o Brasil entre os anos de 1996 e 1998. Com a mudança no câmbio, a situação poderia ser invertida.

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