Tecnologia para preservar Mata Atlântica
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de março de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Cerca de 100 mil hectares de Mata Atlântica são devastados, todos os anos, no Brasil. Para conter o desmatamento e recuperar áreas degradadas desse importante bioma, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apelará para a tecnologia, usando sistemas de geoprocessamento, alimentados por satélites, para rastrear a derrubada ilegal de árvores em tempo real.
O Plano de Monitoramento e Combate ao Desmatamento da Mata Atlântica, lançado, ontem, na 8 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), atuará, prioritamente na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Ao todo, 17 estados têm remanescentes.
A meta, segundo o presidente nacional do Ibama, Marcus Luiz Barros, é reduzir o desmate em, pelo menos, 10% na fase inicial. Restaram no País apenas 7,8% da cobertura original de Mata Atlântica. No Paraná, as áreas de maior pressão ou que concentram maior biodiversidade estão na região de Pato Branco, União da Vitória, Campos Gerais e Litoral. Estima-se que o Estado concentre cerca de 30% dos remanescentes.
O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel, explicou que o projeto para a Mata Atlântica usará a mesma estrutura do Centro de Monitoramento da Amazônia (Cemam), quatro satélites e núcleos de monitoramento nos estados. Para colocar o plano em operação, será necessário criar um sistema adaptado ao bioma, considerando variáveis como a topografia e clima. O prazo previsto é de 12 meses. A idéia é fazer a fiscalização integrada entre várias forças policiais.
Parte das ações, com base em dados acumulados nos últimos 10 anos, já começarão a ser implementadas. Uma delas é a identificação das 300 maiores propriedades rurais, em cada estado, para verificar se os donos cumpriram planos de manejo, mantendo percentuais de reserva legal e Áreas de Preservação Permanente (APP). O Ibama, segundo Montiel, fará termos de ajustamento de conduta para que eventuais danos às florestas sejam reparados.
Ainda de acordo com Montiel, o Paraná terá que ajustar o decreto que estabelece a fiscalização da Mata Atlântica, que não inclui a floresta mista de araucária.


