Tecnologia em prótese garante autonomia
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Um dos equipamentos mais modernos para quem precisa substituir o joelho por prótese já está disponível em Londrina. Trata-se do joelho controlado por microprocessador, que permite ao usuário uma marcha muito mais próxima do normal. A policial militar Luci Maria de Lima, de 29 anos, que perdeu parte da perna em um acidente de moto, é a primeira na cidade a utilizar a tecnologia.
Segundo o fisioterapeuta Leonardo Fernandes dos Santos, a novidade já está em uso há cerca de 10 anos - recente para a medicina, mas em Londrina o equipamento não estava disponível por causa do alto custo, cerca de cinco vezes mais que a prótese comum.
O que esse joelho traz de novo, explica o fisioterapeuta, é o mecanismo de funcionamento, controlado por microprocessador. Um sensor de deformação capta qualquer movimento do pé e faz com que a abertura das válvulas hidráulicas no joelho seja mais lenta ou mais rápida. Isso é o que garante que o joelho fique mais firme ou mais flexível e se distenda dependendo do terreno onde o paciente pisa, da oscilação do pé ou da sua necessidade de velocidade.
Para o paciente, o resultado dessa tecnologia é ''uma marcha um pouco mais harmoniosa e mais próxima do normal''. Esse joelho consegue 'acompanhar' as oscilações de velocidade naturais de uma caminhada. ''E não tem o perigo do paciente ter que 'levar' a prótese'', avalia.
A diferença para a prótese mecânica é que, ao invés da pessoa 'acompanhar' o joelho, o joelho é que acompanha o usuário. ''Com a tradicional, tem uma hora que o paciente quer andar mais rápido e a prótese 'não deixa'. Com essa controlada por microprocessador, ele consegue subir uma rampa ou os degraus de uma escada alternando os pés sem precisar segurar no corrimão. É um salto grande de qualidade'', ressalta.
A avaliação para que o paciente receba esse tipo de prótese, segundo Santos, ''é criteriosa'', pois depende do aproveitamento que ele poderá ter e de fatores como força e encurtamento muscular. O equipamento não é indicado para qualquer tipo de amputação, seja por trauma ou doença. ''É indicado para aquele que vai poder usar todas os recursos que a tecnologia oferece, que consegue andar tanto dentro, quanto fora de casa'', avalia.
O equipamento é feito de metal, que pode ser alumínio, titânio, aço ou carbono, escolhido de acordo com o peso de quem vai recebê-lo e do uso. Para quem pratica esportes, por exemplo, há próteses específicas que absorvem o impacto. ''No caso da Lucy foi escolhido o titânio porque é mais leve e mais resistente, para uma pessoa que a gente sabe que vai exigir um pouco mais da prótese, e assim não há perigo dela quebrar ou de se deteriorar. Para atletas, normalmente é usado a prótese de carbono, que tem alta resistência e acumula energia, mandando-a de volta para o paciente, o que o ajuda a andar um pouco mais rápido'', explica.
O nome comercial do joelho é C-leg, fabricado pela Otto Bock, uma empresa alemã. Mas, o equipamento também é produzido pela Ossur e pela Endolite.


