Tecnologia é esperança para visão subnormal
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domingo, 26 de julho de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Mesmo na fase avançada de doenças da retina, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), ainda há possibilidades para o paciente que sofre de perda parcial da visão. Lentes, óculos e aparelhos especiais são auxílios para quem quer melhorar a qualidade de vida, mas principalmente voltar a ler.
O oftalmologista Gildo Fujii, de Londrina, explica que várias patologias, especialmente as da retina, podem afetar a parte central da visão. O resultado é a visão subnormal, uma condição ocular em que há baixo nível de visão. Como a parte periférica não é afetada, o que se busca com as lentes, explica Fujii, é direcionar a luz para a região da retina que não foi atingida. ''Mas, quanto maior a lesão, mais dificuldade para ter a visão subnormal'', alerta.
Outra estratégia das lupas e lentes, além de redirecionar a luz, é aumentar os objetos. Um dos equipamentos, exemplifica Fujii, faz a leitura de textos e livros através de um scam e projeta a imagem, em escala bem maior, em uma tela de computador. ''É como se a pessoa passasse um mouse sobre as palavras e a pessoa fosse lendo na tela'', explica. ''Mas, é preciso entender que não é uma solução, mas uma adaptação para melhorar a qualidade de vida'', ressalta.
A tecnologia é a esperança para pacientes com este tipo de doença. A degeneração macular do tipo antivasogênica ou úmida, segundo o médico, já foi uma das causas mais comuns de perda de visão de forma irreversível após os 50 anos de idade. ''Mas, de cinco anos para cá houve uma revolução na fisiopatologia das causas da doença'', afirma. Em 90% dos casos, a origem é genética, e como o gene da doença foi o primeiro caso de sucesso a ser descoberto com o genoma humano, a degeneração macular é alvo de dezenas de estudos. ''Hoje o maior foco das pesquisas é tratar o defeito genético que causa a doença'', explica o médico.
Enquanto esse tratamento não vem, o diagnóstico precoce é fundamental. E como não há sintomas, a indicação é que pessoas com idade acima dos 60 anos passem por avaliações periódicas da retina em oftalmologistas, principalmente aqueles que têm casos da doença na família e fumantes. ''Hoje, com diagnóstico precoce, é possível reverter o quadro e manter a visão em um nível bom'', avalia.
Uma das maneiras de retardar o avanço da DMRI, segundo Fujii, é com suplementação vitamínica, que deve ser feita com orientação médica por conta dos possíveis efeitos colaterais. ''Isso diminui em 25% a progressão da doença para um estágio avançado'', ressalta. A incidência da doença chega a 1% da população em geral, e de 6% a 7% na população com idade acima dos 65 anos.


