São Paulo, 19 (AE) - Uma verdadeira operação de guerra cuja principal arma é a tecnologia. É nisso que muitas empresas especializadas no transporte de cargas pelo País apostam para evitar assaltos. Caminhões rastreados por satélite, computador de bordo, rádio para comunicação, botão estratégico no painel, que é acionado em casos de sequestro do caminhoneiro, e sirene são alguns dos recursos usados para dar mais segurança ao motorista e evitar prejuízos. A escolta armada também é utilizada, principalmente quando a carga é valiosa e envolve remédios, produto para o qual não há seguro. Nesses casos, a escolta pode seguir a carga ao destino final ou somente até um ponto determinado na estrada.
Na quarta-feira à noite, a reportagem acompanhou um caminhoneiro no transporte da carga de São Paulo ao Rio, pela Rovodia Presidente Dutra. De acordo com a polícia, uma das duas rodovias onde mais ocorrem assaltos. Ao todo, no baú do caminhão
estavam armazenadas 13 toneladas de produtos, divididos entre remédios e eletroeletrônicos, avaliados em R$ 200 mil. Toda a viagem foi rastreada por satélite e o trajeto acompanhado por computador localizado na sede da empresa em São Paulo, que informa se o motorista segue a rota estipulada. Cada parada também é monitorada. Saída - Às 22h45, o motorista Severino dos Ramos Henrique Souza, o Grilo, de 38 anos, subiu no caminhão e começou a preparar-se. Conferiu se estava tudo certo e, logo em seguida, pegou o computador e pediu permissão para a base para começar seu trajeto. Dois minutos depois, recebeu autorização na tela do monitor para prosseguir viagem. Ele precisa avisar a empresa toda vez que parar.
Antes de ligar o caminhão, todo decorado com imagens de Nossa Senhora Aparecida, o caminhoneiro rezou e pediu proteção. "Primeiro vêm Deus e Nossa Senhora, depois o computador e a tecnologia", disse. "Todas as fitinhas e santinhos que tenho no caminhão foram abençoados na cidade de Aparecida". Dez minutos depois, o caminhão passou pelo portão da empresa, localizada no Parque Novo Mundo, zona norte, e seguiu viagem rumo à Baixada Fluminense.
O motorista possui curso de direção defensiva, seus santinhos e o computador. "Assim a gente não se sente solitário", diz Souza. "Pois sei que, além de Deus, há pessoas me acompanhando durante a viagem". Ao todo foram duas paradas, uma num posto de gasolina para abastecer o caminhão e a outra 40 minutos depois num posto fiscal. "Como medida de segurança, orientamos o motorista a parar o menos possível", explica o gerente operacional da Empresa de Transportes Atlas, Valdomiro Felippe. "Todas as paradas são feitas em postos cadastrados pela empresa e tudo é monitorado pelos computadores, até a abertura da porta do baú".
Segundo Felippe, se os computadores mostrarem que o caminhão saiu 150 metros para direita ou esquerda, é imediatamente acionada a corretora de seguros, que vai tomar as devidas providências. "O plano de emergência prevê desde a utilização de helicóptero até a comunicação da polícia local". A viagem de Souza foi tranquila. Houve apenas alguns poucos pontos de lentidão. No total, o motorista comunicou-se com a empresa ou recebeu mensagem 11 vezes. A última foi às 4h50, horário de chegada ao destino, no Rio.
Quando chegou à empresa, guardou o computador no local destinado, ao lado do câmbio, e agradeceu a Deus e Nossa Senhora Aparecida. "Rezo sempre quando saio e chego de viagem", disse. "A próxima será para o Espírito Santo".

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