São Paulo - Tecno-ansiedade, cyberpânico, tecnose, onlineaholics. A lista dos modernos transtornos psiquiátricos parece acompanhar o ritmo frenético dos catálogos de eletrônicos: quando se aprende o nome e a utilidade do mais novo brinquedinho do mercado, ele já ficou velho demais para figurar entre os lançamentos. Da mesma forma, enquanto os médicos começam a entender o que se passa pela mente de viciados em internet, mais ''tecnopatias'' passam a instigar os especialistas no assunto.
Populares nos Estados Unidos, perturbações mentais provocadas pela profusão de transistores, bytes, fios e botões ainda são pouco conhecidas no Brasil. Faz sentido: os atrativos virtuais, assim como grande parte das avanços tecnológicos, viraram mania por aqui quando já não eram novidade para muita gente. Questões sociais à parte, os brasileiros parecem dispostos a apertar o passo na corrida pelo universo high tech. No fim do ano passado, por exemplo, o número de usuários com acesso à internet em casa cresceu 5,4% em um único mês.
A medição foi feita pela consultoria Ibope-NetRatings entre outubro e novembro de 2006. Curiosamente, a mesma pesquisa mostrou que o País ocupa o topo da lista de nações que mais tempo gastam com navegação online: foram 20 horas e quatro minutos diante do computador. Os EUA aparecem em terceiro, com 18 horas e dez minutos. Não é à toa que a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) teve de criar um serviço especial para tratar a dependência de internet.
Ligado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, o Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) é o principal pólo de estudos sobre o uso patológico da internet no Brasil. Ali, o transtorno é classificado como uma dependência não-química, assim como jogo patológico, sexo patológico e compradores compulsivos. ''A diferença entre a dependência de internet e outros transtornos é que ninguém se dá conta de que isso é um problema e que há tratamento'', explica o coordenador do departamento de dependências não-químicas do Proad, Aderbal Vieira Jr.
O tratamento dos onlineaholics no Brasil esbarra em uma questão cultural bastante específica: por aqui, possuir a engenhoca mais nova do mercado dá status, assim como ter acesso ao vídeo mais ''quente'' da internet faz do sujeito uma pessoa antenada. ''Noto uma alteração cultural que vem ficando mais evidente nos últimos anos. Até quem não tem tendência a ficar dependente da internet passou a ficar mais tempo diante do computador. A declaração do imposto de renda é um bom exemplo disso. Ninguém fica preenchendo papel e pegando fila nos correios hoje em dia'', ressalta Vieira.

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