Tecnologia brasileira livra alemães do lixo
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 14 (AE) - Um compromisso interno do governo alemão, de substituir pelo menos 60% do plástico comum consumido no país por plásticos biodegradáveis, depende, neste momento, de tecnologia brasileira. O compromisso alemão é de longo prazo: por lei, a substituição deverá ser feita até o ano 2060. Mas a tecnologia brasileira já está pronta e segue, neste mês de outubro, para a fase final de testes, na Alemanha, na forma de 1 tonelada de polímeros de plástico de cana-de-açúcar.
O objetivo dos alemães é aliviar os aterros sanitários do enorme volume de plásticos de petróleo, consumidos à razão de 70kg por habitante por ano (o Brasil consome cerca de 15kg por habitante/ano). O plástico biodegradável também reduziria o custo atual de disposição ou eliminação do lixo plástico de 1.500 para 500 euros por tonelada.
O plástico brasileiro tem concorrentes entre outros plásticos biodegradáveis recentemente desenvolvidos, como os polialcanoatos de açúcar de beterraba, milho ou canola, poliactinas, álcool polivinílicos, policaprolactona e acetatos de celulose. Mas só em escala de laboratório. Em escala comercial, a tecnologia nacional bate os concorrentes nos custos
na semelhança de suas propriedades com o plástico comum e na biodegradabilidade.
Cientificamente conhecido como polihidroxibutirato, ou PHB, o plástico biodegradável de cana é um polialcanoato, como os plásticos de açúcar de beterraba, milho e canola (este, em fase de pesquisa na Monsanto). Porém, ele custa de duas a três vezes menos do que seus "primos" europeus e norte-americanos, graças, sobretudo, à utilização do bagaço de cana na cogeração de energia e ao baixo custo relativo da cultura da cana.
Como o poliestireno e polipropileno, o PHB amolece a 140ºC e funde a 165ºC. Mas demora bem menos do que aqueles derivados de petróleo para degradar no ambiente. Ao invés de 40 anos, o PHB leva apenas um ano para ter cerca de 90% de seu volume consumido por bactérias e fungos, esteja enterrado no solo, em montes de compostagem, em fossas sépticas, nas águas de rios ou no mar, conforme mostra Carlos Eduardo Vaz Rossell, da Copersucar.
O PHB é um produto da fermentação do açúcar por microorganismos do gênero Alcalígenes sp. em ambiente controlado (bioreatores). Depois que os microorganimos transformam o açúcar em plástico, pequenas bolinhas do plástico são extraídas com solventes naturais, 100% recicláveis. O processo é todo automatizado e isolado. O desenvolvimento é da Copersucar (http://www.copersucar.com.br) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT (http://www.ipt.br). A planta-piloto fica na Usina da Pedra, em Serrana, interior de São Paulo, de onde já saíram os primeiros sacos de PHB testados na Alemanha.
Conforme explica Luiz Roberto Kaysel Cruz, diretor da Usina da Pedra, hoje o mercado mundial de plásticos biodegradáveis ainda é pequeno, cerca de 20 mil toneladas/ano. Mas o crescimento é de quase 4 % ao ano. "Passaremos a produzir 50 toneladas anuais a partir de março de 2000 para testar a receptividade do mercado e aprender a manejar o produto", diz. A produção comercial mesmo só terá início em 2002.
Até lá a expectativa é de ampliar significativamente o número de aplicações do PHB, através das pesquisas iniciadas em diversos institutos, como a Unesp-Botucatu, o Senai de São Bernardo do Campo, a Unicamp, o próprio IPT e a Universidade de Ulm, na Alemanha. Os plásticos biodegradáveis, hoje, são utilizados na embalagem de revistas, produtos de limpeza, fármacos, fraldas, cosméticos, produtos descartáveis (escovas, barbeadores, pentes), agrotóxicos, alimentos e como sacos de lixo. Mas podem vir a ser o material preferencial na produção de artigos tão diferentes como armadilhas para lagostas, sapatos ou revestimentos internos de automóveis.
Mais informações pelo endereço eletrônico [email protected]. AGENDA Usuários Síncrotron - A X Reunião Anual de Usuários do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, X RAU (http://www.lnls.br/comum/xrau.htm) será entre os dias 16 e 18 de fevereiro de 2000, em Campinas, SP. Na pauta, os resultados de pesquisas obtidas no laboratório, nos campos de Biologia Molecular Estrutural, Luz Síncrotron, Microscopia Eletrônica, Microfabricação e Optoeletrônica. As inscrições de participantes são exclusivamente eletrônicas e estão abertas até 3 de dezembro. A coordenação é de Leandro Tessler, do Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp. Maiores informações pelo telefone (19) 2874520 ou pelo endereço eletrônico [email protected]. Espectroscopia de ultravioleta - O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, LNLS (http://www.lnls.br), faz em Campinas, SP, um minicurso de "Espectroscopia de Ultravioleta de Vácuo", entre os dias 3 e 5 de novembro. São 40 vagas e o prazo de inscrição termina em 15 de outubro. O curso tem aulas teóricas e atividades práticas, coordenadas por Antonio Rubens Brito de Castro, Arnaldo Naves de Brito e Jonder Morais, em horário integral (das 8h30 às 17h). Mais informações pelo telefone (19) 2874520 ou pelo endereço eletrônico [email protected]. SITES DE C&T Algamare - Uma lista e um banco de dados sobre as algas marinhas coletadas nas costas brasileiras estão no site Algamare (http://www.ib.usp.br/algamare-br), organizado e mantido pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, IB-USP. Clicando num mapa, os internautas podem consultar as espécies encontradas entre a foz do Amazonas e a do rio da Prata. Também há referências bibliográficas e informações sobre os especialistas em algas - ficólogos - do Brasil, com seus endereços eletrônicos para contato. Publicações on-line Poluição e Controle On-line (http://www.poll.com.br) - Revista virtual sobre tecnologias de tratamento de efluentes industriais. Traz artigos científicos, reportagens sobre processos de tratamento já implantados e notícias relacionadas à qualidade da água, poluição química, contaminação biológica e legislação, além de eventos.


