Londrina - Uma tecnologia bastante eficaz no tratamento da dor crônica vai voltar a beneficiar pacientes brasileiros. Pelo alto custo de materiais importados ela vinha sendo pouco utilizada, mas a história deve começar a mudar com a fabricação nacional dos produtos há pouco mais de dois meses. Quem informa é o professor titular de neurocirugia e chefe do serviço de neurocirurgia do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Pedro Garcia Lopes.
O cirurgião explica que o procedimento da neurocirurgia funcional, que trata os sintomas das doenças incuráveis e os vários tipos de dores severas, funciona com a implantação de uma bomba, espécie de reservatório, de morfina, debaixo da pele e conectada na espinha dorsal através de um cateter. O objetivo, com isso, é que o próprio paciente, ou um familiar, comprima a bomba para injetar morfina quando necessário.
Segundo o médico, o tratamento da dor obedece a uma escala, que aumenta e associa o uso de medicamentos conforme a resposta, ou não, do paciente. Para as dores mais leves e simples, por exemplo, o tratamento começa com o uso de analgésico comum. Se não há uma resposta positiva, parte-se para a associação do analgésico comum com antiinflamatório e outras drogas coadjuvantes que aumentam o limiar da dor.
Se não há resultado, parte-se para antiinflamatórios, drogas coadjuvantes e analgésicos mais potentes, normalmente derivados da morfina. Na quarta escala, entra a morfina como analgésico, e no quinto estágio, entra a possibilidade de intervenção cirúrgica. ''São vários tipos de dor e cada uma tem sua causa, que precisa ser investigada'', ressalta. O maior exemplo de dor crônica, que geralmente demanda a necessidade de cirurgia, é a dor do câncer em fase mais avançada. Outro tipo de dor intensa é a chamada neuropática, provocada por agressão direta do nervo, que tem como uma das causas o herpes.
Com o uso da morfina diretamente no sistema nervoso, a vantagem é que se utiliza uma quantidade menor do que se o uso fosse via oral, e o efeito é melhor e mais rápido. ''A dose é cerca de 10 vezes menor que por outras vias, e assim conseguimos diminuir alguns dos efeitos colaterais, como boca seca, náusea e prurido''. Antes de ser implantada a bomba são feitos testes para determinar se realmente há melhora da dor com a injeção direta de morfina, qual a dose necessária, e se há alguma reação colateral grave.
O sistema trata sintomas de dor crônica, mas também pode ser usado para espasticidade, com a diferença que, neste caso, ao invés de morfina, a droga utilizada é um relaxante muscular. A neurocirurgia funcional, através das cirurgias estereotáxicas (programadas por computador e minimamente invasivas) também trata dos pacientes com Mal de Parkinson grave e de pacientes psiquiátricos severos, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e depressão grave, que não respondem a nenhum outro tratamento. Nesse caso, a técnica é chamada de psicocirurgia. ''O tratamento da dor é extremamente importante porque muda a condição de vida do paciente'', ressalta.

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