Tecnologia ajudou a encontrar restos do avião de Kennedy
Base Aérea Otis, Massachusetts, 22 (AE-AP) - Ninguém presenciou a queda do avião de John Fitzgerald Kennedy Jr. Não havia plano de vôo e nem contato por rádio. No entanto, as análises de radar e de sonar permitiram em poucos dias reduzir a área de busca de 23,3 mil quilômetros quadrados a apenas alguns mil metros quadrados de oceano e, assim, encontrar os restos da aeronave. Uma das últimas leituras do radar revelou que o avião voava a 540 metros de altura a cerca de 27 quilômetros a oeste do aeroporto de Marthas Vineyard. Os escombros que chegaram a praia da ilha - um apoio de cabeça e outras peças - foram indícios importantes. Os funcionários da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera fizeram no computador várias simulações, utilizando como variáveis os ventos, as maré e as correntes marinhas, para determinar a direção e a distância que o avião poderia ter tomado e percorrido após a queda. Esse método permitiu restringir a área de busca para uma zona de 62 quilômetros quadrados. Depois disso, os navios Rude e Whiting, geralmente utilizados para reconhecer as águas costeiras e elaborar cartas náuticas, utilizaram uma técnica chamada sonar lateral para detectar objetos no fundo do mar. O sonar emite sinais sonoros e analisa seu eco. Os navios percorreram minuciosamente toda a zona indicada, cerca de 15 a 20 quilômetros quadrados por dia, explicou Sam de Bow, comandante do corpo militar da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera. O sonar detectou 18 objetos com bordas retas, ou seja, estranhos ao ambiente marinho. Mergulhadores da marinha e da polícia de Massachusetts constataram que alguns desses objetos não passavam de grandes pedras. Porém, não tinham certeza sobre os demais, já que não podiam passar mais do que 15 minutos na água turva. Foi um ROV, um veículo submarino comandado por controle remoto, equipado com luzes e câmeras, que finalmente encontrou e permitiu identificar a fuselagem do avião Piper Saratoga de John Kennedy Jr na noite de terça-feira. A tecnologia utilizada não era nova, pois fora aperfeiçoada nas operações de busca dos destroços do avião da Swissair, em 1998, e dos da TWA, em 1996. Contudo, Bow disse que o sucesso nesse caso foi muito rápido, "sobretudo tendo em vista o tamanho do avião de Kennedy". "Acredito que isso confirmou que nós sabíamos o que estávamos fazendo. Estamos orgulhosos", acrescentou.





