Técnicos vistoriam área no litoral
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quinta-feira, 08 de abril de 2004
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- Técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná conseguiram entrar, ontem, na fazenda da Agropecuária São Rafael, em Antonina, no litoral do Estado para vistoriar a propriedade, depois de duas tentativas frustradas. A Polícia Florestal não pôde entrar. De acordo com o presidente do IAP, Rasca Rodrigues, o dono da fazenda será multado em R$ 42.368 por crimes ambientais. O proprietário deverá ser autuado na próxima segunda-feira.
Rasca Rodrigues informou que uma das multas, no valor de R$ 8.250, refere-se a uma área de floresta de 5,5 hectares que foi desbastada para que os búfalos tivessem acesso ao bosque. A outra multa, de R$ 34.118, segundo o IAP, é pela utilização de uma Área de Proteção Ambiental (APA) de 12,3 hectares.
Os órgãos ambientais e o Incra vistoriaram a área a pedido de pessoas que seriam ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que estariam ocupando a propriedade desde a madrugada do último dia 31. O MST garante que as famílias estão fora da fazenda, bloqueando o acesso. Os líderes da ocupação alegaram que a mobilização tinha o objetivo de denunciar os crimes ambientais. Além do desmate, o dono da fazenda teria desviado o curso de um rio. O IAP não identificou essa irregularidade.
O dono da Agropecuária São Rafael, Pedro Paulo Pamplona, disse que não cometeu os crimes ambientais. Ele questionou o fato dos órgãos não terem comunicado a ele a vistoria e de não o convidarem a acompanhar. Afirmou, ainda que não tem conhecimento de nenhum desmate na área e que há mais de um mês não visita a propriedade, pois estaria recebendo ameaça de morte de pessoas do acampamento de sem-terra vizinho a sua fazenda.
Independente das acusações, Pamplona quer que o governo do Estado cumpra o mandado judicial de reintegração expedido pelo juiz de Antonina, Fernando Andriolli Pereira, no mesmo dia da ocupação.
Segundo Rasca Rodrigues, o relatório da vistoria só deverá ser entregue ao governador Roberto Requião depois do feriado de Páscoa. Ele adiantou que, se necessária, isso é, se as cerca de 50 famílias que, segundo ele, permaneciam ontem na área não saírem voluntariamente, a Secretaria de Estado da Segurança Pública fará a desocupação.
Até o final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa do MST não tinha informações se as famílias deixariam ou não a fazenda.
A presença de um técnico do Incra do Paraná foi a exigência dos sem-terra para que os técnicos dos demais órgãos entrassem na fazenda, mas o órgão ainda não tem um posicionamento sobre a situação da área ou de um eventual interesse na sua desapropriação.


