Belém, 07 (AE) - Técnicos das empresas norte-americanas Smith American Inc. e Oil Spill Response Limited., especializadas em resgate de embarcações e vazamentos, vão tentar fazer a balsa Miss Rondônia, que afundou na sexta-feira, flutuar no Rio Pará com toda a sua carga de 1,8 milhão de litros de óleo armazenados em seus tanques. O plano de resgate foi apresentado hoje por técnicos das duas empresas, durante uma reunião na Capitania dos Portos. A operação de resgate da balsa do fundo do rio, a seis metros de profundidade, será cercada de cuidados para evitar que ocorra qualquer fissura no casco ou vazamento do combustível.
A balsa afundou na noite de sexta-feira em Barcarena, a 20 quilômetros de Belém. A embarcação pertence à Transportadora Conama, que presta serviços à multinacional Texaco, e afundou quando era abastecida no porto de Vila do Conde. O óleo seria levado para o Porto de Munguba, no Rio Jari, em Oriximiná, no oeste do Pará. A idéia de usar mergulhadores para retirar parte do óleo e reduzir o peso da balsa, facilitando sua flutuação, foi descartada devido o risco de vazamento ser maior do que na tentativa de fazê-la emergir com toda a carga contida nos seis tanques. Cada tanque armazena 300 mil litros de óleo.
No resgate serão utilizados os equipamentos mais modernos existentes no mundo para retirar navios fundeados a grandes profundidades. A operação contará com o apoio de rebocadores e dragas. Para os diretores de Meio Ambiente e Segurança da Texaco no Brasil, Domingos Millione e Bill White, são mínimos os riscos de um acidente ecológico, com proporções iguais ou superiores ao do ocorrido recentemente na Baía de Guanabara. Reunião - O plano com detalhes da operação foi apresentado no final da tarde de hoje pelos engenheiros das duas empresas durante reunião com técnicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros Militar (CBM)e Defesa Civil. A reunião foi realizada na Capitania dos Portos e prosseguiu durante a noite.
Um filme feito por uma empresa especializada em cinegrafia aquática foi exibido aos técnicos durante a reunião. Os mergulhadores filmaram a balsa de vários ângulos e não observaram qualquer fissura no casco ou vazamento de óleo dos tanques. No filme, aparecem peixes e camarões em volta da balsa fundeada.
A diretora da Divisão de Produtos Perigosos da Sectam, Valdise Lima, disse que o óleo contido nos tanques é muito pesado e serve para caldeiras de indústrias. "Se ele porventura vazar não iria para a superfície do rio, mas para o fundo, pois é bem mais pesado do que a água". Nesse caso, disse, a possibilidade de um acidente ecológico de graves consequências para o meio ambiente da região banhada pelo Rio Pará seria muito grande. "Teríamos uma contaminação invisível, bem mais difícil de combater".