Brasília, 26 (AE) - Técnicos do Banco Central e ex-integrantes da equipe econômica consideraram que a saída de Luiz Carlos Alvarez é uma grande perda para o governo. "Mais uma vez o governo não defende um de seus colaboradores", criticou o ex-presidente do BC, Gustavo Loyola, para quem Alvarez é um dos melhores técnicos do Banco Central. Colega de Loyola no governo, um ex-integrante da equipe econômica afirmou que não existe liderança política no governo e, segundo ele, "por isso a chance de sustenção de um técnico no cargo é zero".
"É por tudo isso que não volto mais para o governo", promete outro ex-colaborador do ministro da Fazenda, Pedro Malan
que não poupa críticas ao relatório final da CPI do Sistema Financeiro: "O relatório está mesmo cheio de erros". "É um relatório muito equivocado", concorda um ex-presidente do BC. Sobre o fato de Alvarez ter sido citado várias vezes no documento que foi elaborado pelo senador maranhense, João Alberto, a interpretação dos ex-integrantes do governo é que "aos cabeças da CPI não interessava atingir quem já está fora do governo, mas a ele que continuou".
Longe do governo, todos eles questionam por que o relatório centrou fogo no Proer e não no Proes, o programa de reestruturação do sistema financeiro estadual. No seu discurso de despedida do Banco Central, o ex-presidente Gustavo Franco, disse que o Proer estava tentando erradicar uma doença chamada "caridade com o dinheiro alheio".
Um técnico do BC disse que "com um Proes poderiam ser feitos dois Proers". Na avaliação dos ex-integrantes do governo, a demissão de Alvarez também demonstra que o Banco Central está de "bola murcha". Isso significa, segundo eles, que o BC está permitindo ter uma aproximação "perigosa" com o Congresso. E a maior desvantagem, consideram, é que "os políticos dizem tudo que querem porque têm imunidade" e os técnicos são logo crucificados com a demissão.
Assessores do BC e ex-integrantes da equipe econômica lamentaram que, com a demissão de Alvarez, a CPI do Sistema Financeiro que não tinha conseguido apurar nada, tem agora um trunfo: conseguiu afastar um diretor do Banco Central. O BC, segundo eles, também ficou numa posição confortável perante os políticos porque acabou, por inércia, deixando acontecer o que eles queriam. "O Alvarez estava absolutamente correto nas suas observações e o único prejuízo foi a sua própria demissão", avaliou uma fonte.

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