Técnicos morrem ao fazer manutenção em estação elevatória de esgoto
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 16 (AE) - Um técnico da Companhia Estadual de Saneamento (Compesa) e dois prestadores de serviço morreram hoje
na estação elevatória de esgoto de Jiquiá, no Recife, ao fazerem manutenção preventiva. Um mergulhador que nada tinha a ver com o trabalho também morreu ao tentar ajudá-los.
Sem máscaras contra gases, eles perderam os sentidos sob o efeito do gás metano e gás sulfídrico lançados pelo esgoto, que jorrou de um registro que iria ser substituído no poço seco da estação, a seis metros abaixo do nível do terreno. Desmaiados
afogaram-se no esgoto que continuou jorrando e enchendo o poço.
Morreram o supervisor do órgão, Valmir Aprígio da Silva, os funcionários da empresa prestadora de serviços Servitium, Nilton Melo da Silva e Marco Aurélio dos Santos, e o mergulhador Clóvis da Rocha Lins Filho.
O chefe de divisão de esgoto da Compesa, José Risonaldo de Lima, diz não ter havido negligência - pela falta de uso de máscaras - porque o poço seco não tem presença de gases. Ele explicou que a estação elevatória de Jiquiá tem dois poços, um úmido - que armazena o esgoto - e um seco, onde se encontra o equipamento de bombeamento que retira o conteúdo do poço úmido e o transporta para uma outra estação elevatória, no bairro de Afogados.
De acordo com os bombeiros, os dois prestadores de serviço foram encarregados de substituir o registro que apresentava defeito, no poço seco. Ao desparafusarem a peça, o esgoto jorrou, lançando os gases que os fizeram desmaiar. Ao perceber o problema, Valmir Aprígio da Silva desceu para ajudá-los, seguido do mergulhador. Sem máscaras não escaparam do efeito paralisante dos gases. José Risonaldo de Lima afirmou que a Compesa vai investigar o que ocorreu na estação, tão logo a área seja liberada. O local foi isolado porque o cheiro dos gases é muito forte.


