Técnicos investigam surgimento de bactéria
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terça-feira, 08 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma equipe técnica do Ministério da Saúde está desde ontem em Curitiba para investigar as possíveis razões do surgimento de uma bactéria de crescimento rápido que vem causando infecções em pacientes de hospitais da cidade. A Secretaria Municipal da Saúde recebeu 55 notificações de casos suspeitos de infecção, sendo que 19 deles já foram confirmados. Apesar disso, o órgão afirma que foram tomadas medidas para evitar novas infecções e diz que a situação está controlada.
A diretora do Centro de Epidemologia da secretaria, Karin Regina Luhm, conta que, ainda no primeiro semestre de 2007, o ministério já havia alertado para os perigos de infecções causadas pelas chamadas micobactérias. Problemas que vinham ocorrendo em outros Estados, como no Rio de Janeiro, onde mais de mil casos foram notificados. ''Naquela época, comunicamos todos os hospitais de Curitiba (sobre o problema)'', afirma Karin.
Há pouco mais de um mês, os primeiros casos de infecção começaram a ser registrados na Capital. Segundo a diretora, as pessoas atingidas são pacientes que se submeteram a videoscopias - procedimentos cirúrgicos feitos com a ajuda de câmeras de vídeo. A infecção é causada por micobactérias de crescimento rápido, que podem estar se tornando resistentes aos procedimentos usuais de desinfecção. ''Por isso, orientamos os hospitais para que intensifiquem esses procedimentos'', acrescenta a diretora.
Entre os sinais da infecção estão nódulos e secreção no local da incisão, além de dificuldade de cicatrização. Eles se manifestam entre duas semanas ou até mesmo meses após o procedimento cirúrgico.
De acordo com Karin, até ontem já haviam sido notificados 55 casos suspeitos da infecção por micobactérias na cidade. Desses, 19 já foram confirmados. A secretaria apura ainda se a morte de uma das pessoas que teve a infecção foi causada pelo problema. ''Um dos pacientes que teve a confirmação da infecção foi a óbito. Ainda investigamos as causas (da morte), mas acreditamos que a probabilidade de que tenha sido causada pela bactéria seja pequena, já que em outras cidades não houve casos que evoluíram para óbito'', afirma Karin.
Para tentar descobrir os motivos que levaram ao surgimento da micobactéria em Curitiba, técnicos do Ministério da Saúde vieram à cidade ontem. ''Nosso desafio é tentar descobrir o que ocorreu, já que os procedimentos cirúrgicos, que são feitos há anos, não mudaram'', justifica a diretora. Segundo ela, novos casos de infecção podem ser notificados nos próximos dias, já que muitas vezes o problema leva semanas para aparecer.


