Agência Estado
De Belém
Técnicos das empresas norte-americanas Smith American Inc. e Oil Spill Response Limited., especializadas em resgate de embarcações e vazamentos, vão tentar fazer a balsa Miss Rondônia, que afundou na sexta-feira, flutuar no Rio Pará com toda a sua carga de 1,8 milhão de litros de óleo armazenados em seus tanques. A quantidade de óleo que seria transportada é maior do que a derramada pela Petrobras na Baía de Guanabara mês passado.
O plano de resgate foi apresentado ontem por técnicos das duas empresas, durante uma reunião na Capitania dos Portos. A operação de resgate da balsa do fundo do rio, a seis metros de profundidade, que será realizada hoje, será cercada de cuidados para evitar que ocorra qualquer fissura no casco ou vazamento do combustível.
A balsa afundou na noite de sexta-feira em Barcarena, a 20 quilômetros de Belém. A embarcação pertence à Transportadora Conama, que presta serviços à multinacional Texaco, e afundou quando era abastecida no porto de Vila do Conde. O óleo seria levado para o Porto de Munguba, no Rio Jari, em Oriximiná, no oeste do Pará. A idéia de usar mergulhadores para retirar parte do óleo e reduzir o peso da balsa, facilitando sua flutuação, foi descartada.
O plano com detalhes da operação foi apresentado pelos engenheiros das duas empresas durante reunião com técnicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Pará (Sectam), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Capitania dos Portos, Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e Defesa Civil.
Um filme feito por uma empresa especializada em cinegrafia aquática foi exibido aos técnicos durante a reunião. Os mergulhadores filmaram a balsa de vários ângulos e não observaram qualquer fissura no casco ou vazamento de óleo.
A diretora da Divisão de Produtos Perigosos da Sectam, Valdise Lima, disse que o óleo contido nos tanques é muito pesado e serve para caldeiras de indústrias. ‘‘Se ele porventura vazar não irá para a superfície do rio, mas para o fundo’’. Nesse caso, disse, a possibilidade de um acidente ecológico de graves consequências para o meio ambiente da região banhada pelo Rio Pará seria muito grande.

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