Rio de Janeiro, 24 (AE) - Técnicos do Instituto Noel Nutels encontraram resíduos de cloreto de potássio em uma amostra de soro que foi ministrado ao paciente Matias Gomes, internado no Hospital Salgado Filho, na unidade em que trabalhava o enfermeiro Edson Izidoro Guimarães.
O dado consta do laudo de 15 páginas que foi entregue ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICC), nesta segunda-feira (24), e que pode ajudar a comprovar que Guimarães matava pessoas ministrando cloreto de sódio em seu organismo. Matias morreu no dia em que Guimarães foi preso.
A perícia também descobriu uma perfuração de agulha na borracha que faz a ligação do frasco de soro com a veia do paciente. A substância que provavelmente causou a morte de Gomes teria sido injetada no orifício feito com a agullha.
Foram identificadas três substâncias no soro: glicose, necessária para a nutrição; dopamina, para controle arterial; e potássio. No prontuário do paciente, no entanto, apenas constava a indicação de glicose (400 ml) e dopamina (100 ml).
O enfermeiro, que confessou ter matado cinco pacientes do Hospital Salgado Filho, começa a ser interrogado quarta-feira sobre as mortes.
Hoje, o juiz do III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Mário Guimarães Neto, recebeu a denúncia contra o enfermeiro, que passa, então, a responder processo criminal. Já o juiz em exercício na 2ª Vara da Fazenda Pública do Rio, Luiz Fernando de Andrade Pinto, deferiu liminar para que familiares de 41 possíveis vítimas de Guimarães tenham acesso imedito às fichas médicas dos pacientes.
A determinação do juiz da 2ª Vara será entregue ao diretor do Salgado Filho para que a instituição forneça não só os prontuários como todos os documentos necessários, que podem ajudar a elucidar o caso.
O juiz baseou sua decisão no artigo 5º da Constituição, que prevê, no parágrafo XXXIV, o "direito a certidões", assegurando a todos, independente de pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas para "defesa e esclarecimentos de interesse pessoal".
Os familiares recorreram à Justiça depois de terem pedido os papéis ao hospital que, por intermédio de seu serviço de assistência social, informou que eles não seriam fornecidos.
A direção do Salgado Filho alegou que os documentos tinham sido enviados à Secretaria Municipal de Saúde para análise e que no prazo mínimo de 30 dias os familiares das possíveis vítimas do enfermeiro seriam contactados por carta.

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