Técnicos do Ibama investigam a contaminação da população do Amapá por mercúrio
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terça-feira, 20 de julho de 1999
Por Sandra Sato e Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 21 (AE) - A presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marreco, infomou hoje que o órgão enviou dois técnicos ao Amapá para levantar informações sobre a contaminação da população por mercúrio. Um estudo feito por 15 cientistas, durante mais de quatro anos, demonstrou que uma parcela da população do Amapá está contaminada com índices "preocupantes" de mercúrio. Marília Marreco explicou que os técnicos irão "levantar informações" sobre o estudo e checar a análise que foi feita em peixes na região.
O Ibama, na verdade, vai verificar duas informações. Uma sobre as providências tomadas a partir do estudo da Universidade de São Paulo (USP) e outra sobre a análise que o biólogo Múcio Nobre da Costa Ribeiro, do Departamento de Qualidade Ambiental do próprio Ibama, mandou fazer em alguns peixes da Reserva Biológica do Lago Pirituba. A análise de Múcio, ao contrário do estudo da USP, é considerada pequena pelos técnicos do instituto para demonstrar o nível de contaminação dentro da reserva.
O estudo da USP, feito ao longo de quatro anos, revelou níveis altos de contaminação no Lago Duas Bocas. A análise foi feita nos cabelos de famílias de pescadores que vivem na região e em diversos tipos de peixes. Crítica - Hoje, o secretário do Meio Ambiente do Amapá, Antônio Sérgio Filocrião, tentou desqualificar o estudo da USP. Filocrião sugeriu que o estudo foi terminado em 1993 e que seria "velho". Disse ainda que há "poucos" garimpeiros no Amapá. O próprio secretário admitiu, porém, que ainda há 20 mil garimpeiros explorando ouro no Estado. Cópia obtida pela reportagem, no entanto, mostra que o estudo foi iniciado em 1993 e finalizado em 1998. O governo federal recebeu o estudo este ano.


