Washington, 27 (AE) - Uma equipe técnica do Fundo Monetário Internacional está em Brasília para iniciar os preparativos das discussões que uma missão negociadora da instituição terá no mês que vem com as autoridades brasileira sobre como recauchutar o programa de estabilização negociado em novembro passado. O programa, cuja execução é condição para o empréstimo de US$ 41,5 bilhões que a comunidade financeira oficial fez ao País por meio do FMI, ficou largamente superado pelo impacto fiscal adverso da decisão de desvalorizar que o governo brasileiro tomou ao abandonar o sistema de mini-bandas em troca da livre flutuação da moeda. O Brasil já recebeu a primeira parcela do crédito, de US$ 9,3 bilhões. O desembolso da segunda parcela, do mesmo valor, poderá acontecer se as negociações entre o governo e o FMI chegarem a bom termo. Isso provavelmente exigirá novas medidas fiscais no Brasil, uma vez que aquelas que foram previstas no acordo firmado no ano passado já não bastam para alcançar os mesmos objetivos fiscais, em termos operacionais, previstos no programa, uma vez que o déficit aumentou.
A sub-diretora do departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Teresa Ter-Minassian, que comanda a equipe negociadora do FMI com o Brasil, deve vajar a Brasília em data que "será determinamente proximamente", informou um porta-voz do FMI. Segundo o porta-voz, Ter-Minassian, que deveria ter voado para o Brasil no último fim de semana para participar de um seminário da Cepal, cancelou a viagem "exclusivamente por razões de acúmulo de trabalho". O cancelamento motivou uma onda de rumores no Brasil e levou o FMI a fazer o esclarecimento. De acordo com fontes bem informadas, Ter-Minassian era cética quanto às chances de sucesso do programa na forma como ele foi originalmente negociado, por não acreditar que a política cambial resistiria por muito mais tempo. Suas reservas não foram suficientes, contudo, para impedir o vice- diretor gerente do FMI, Stanley Fischer, de bancar o programa junto à diretoria executiva do FMI. No dia em que o programa com o Brasil foi publicamente anunciado, Fischer passou uma nota a Ter-Minassian durante uma entrevista coletiva instruindo-a a dar o mínimo de detalhes possível sobre o programa ao responder às perguntas dos jornalistas. No fim da entrevista, a nota foi deixada sobre a mesa.
No final da semana, quando o ministro Pedro Malan e outros membros da equipe econômica vieram a Wahington explicar a decisão do governo de abandonar o sistema das mini-bandas e discutir as implicações do novo regime cambial, Ter-Minassian recebeu sinais de representantes do governo para baixar a bola e conter quaisquer ímpetos de fazer cobranças ou levantar a crista nos encontros com as autoridades brasileiras.

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