Técnicos do Coppe avaliam duto; deputado vai propor CPI do vazamento
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 15 (AE) - Técnicos da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estão avaliando o duto da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, que se rompeu dia 18 de janeiro. Vazaram 1,3 milhão de litros de óleo combustível na Baía de Guanabara, no RJ. Os especialistas vão determinar, entre outras coisas, se houve falha de fabricação, corrosão ou dilatação térmica. O resultado deverá ser divulgado até sexta-feira.
"O mais provável é que tenha havido o deslocamento vertical do tubo e dilatação térmica", disse o diretor de Abastecimento e Transporte da estatal, Albano Sousa Gonçalves. O assessor de Segurança e Meio Ambiente da empresa, Laércio Horta, afirmou que as causas do último acidente são diferentes das relacionadas em 1997, quando o mesmo duto se rompeu. "A causa do primeiro acidente foi corrosão externa", afirmou.
Gonçalves, Horta e o presidente da Petrobras, Henri Reichstul, participaram hoje de uma audiência pública na Câmara dos Vereadores do Rio. Eles discutiram o acidente ecológico com sindicalistas, ambientalistas e parlamentares. Reichstul informou que os trabalhos de limpeza da baía estão praticamente concluídos. Resta retirar o óleo que se juntou com areia da praia, em especial em Paquetá, e se depositou no fundo da baía, perto da costa. "Estamos agora com uma equipe de 33 mergulhadores empurrando essa areia de volta para a praia", explicou.
Reunião - Representantes de vinte organizações não-governamentais (ongs) passaram a tarde reunidos com diretores da Petrobras. O objetivo era fechar um acordo com a empresa para o desenvolvimento conjunto de projetos ambientais na Baía de Guanabara. Entre os projetos, estão o de recuperação da área de manguezais atingida pelo vazamento e o de substituição da pesca predatória na baía por fazendas de peixes e crustáceos.
As ongs impuseram algumas condições à empresa para assinar o pacto, entre elas, a realização de auditorias ambientais em todas as instalações da Petrobras, a criação de uma comissão de acompanhamento externo e a punição dos responsáveis pelo acidente. Até as 18h de hoje a reunião não havia terminado.
CPI - O deputado estadual Carlos Dias (PST) vai formalizar amanhã (16) a proposta de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas do acidente na Baía de Guanabara."A CPI é o único instrumento que tem poder para entrar na empresa, requisitar documentos e solicitar o depoimento dos diretores", afirmou. Segundo Dias, a votação da instalação da CPI deverá ocorrer até o fim da semana.


