Técnicos da CPI constatam que Sistel comprou papéis do Marka
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 28 (AE) - Os técnicos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no Senado constataram hoje que o Fundo de Pensão dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sistel), dos funcionários do Sistema Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), privatizado em 1998, também comprou papéis do Banco Marka, o que não consta nos registros da Comissão de Valores Moviliários (CVM) - ontem (27), eles haviam constatado, na CVM, que quatro fundos de pensão de empresas estatais (Previ, Funcef, Petros e Valia) compraram R$ 368 milhões em debêntures e tiveram prejuízo de R$ 88 milhões. "Aqui na Cetip (Central de Cústódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados) fica registrado cerca de 80% do mercado de debêntures do País, e a suspeita de que houve uma operação armada para dar prejuízo aos fundos está cada vez mais evidente", disse o senador Saturnino Braga (PDT-RJ).
Nessa operação, o Banco Marka teve, segundo assessores da CPI, um lucro de R$ 10 milhões. O senador João Alberto Souza (PMDB-MA), relator da CPI, esteve hoje de manhã com Braga na Cetip, no centro do Rio, para levantar mais informações sobre as operações de emissão de debêntures coordenadas pelo Marka, envolvendo telefônicas estaduais.
"A operação é legal, mas tudo isso é muito estranho, e precisamos averiguar se houve seriedade com a coisa pública", afirmou Braga. De acordo com Souza, a posição do Marka foi passada para outro banco. "Nós queremos saber quem está nessa outra ponta; será um outro fundo de pensão", questiona o senador, que esteve hoje pela terceira vez no Rio. "Tudo isso é um imbróglio muito grande, e vamos analisar os dados porque a CPI quer uma explicação." O relatório preliminar da CPI, que deverá ficar pronto na terça-feira (01), não vai incluir a investigação da CVM.


