Rio, 02 (AE) - Técnicos da prefeitura do Rio e da Companhia Estadual de águas e Esgoto (Cedae) se reúnem amanhã para discutir a melhor solução para as línguas negras de esgoto que deixaram impróprias as praias da zona sul, depois do temporal de segunda-feira. O prefeito Luiz Paulo Conde anunciou hoje ter autorizado obras de emergência - sem licitação - para construir um cordão de isolamento das galerias pluviais nas praias de Ipanema e Leblon.
Mas o presidente da Cedae, Alberto José Mendes Gomes, essa pode não ser a melhor solução. "O governo só terá posição depois da reunião de amanhã ", afirmou. As línguas negras se formam depois de fortes chuvas, quando as galerias pluviais - de responsabilidade da prefeitura - não suportam o excesso de água, que vaza e atinge as praias.
De acordo com a prefeitura, ligações clandestinas de esgoto seriam a causa da poluição, mas para a Cedae os dejetos lançados na praia seriam o menor dos males. "A quantidade de coliforme fecal (esgoto) está apenas 20% acima dos limites do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)", explicou Gomes. O índice de coliforme total - que inclui lixo, coliforme fecal e bactérias - é três vezes maior do que o aceitável, de acordo com o presidente da Cedae. "O lixo não é responsabilidade nossa", afirmou.
A solução proposta pelo prefeito Conde é aumentar a capacidade da galeria pluvial, anexando a ela uma linha de esgoto desativada, que foi doada pela Cedae à prefeitura. A obra foi orçada em R$ 300 mil e levaria quatro meses para ficar pronta. Os 1.500 metros de canos da galeria passam por sob a areia das praias de Ipanema e do Leblon e levariam a água das chuvas para o canal do Jardim de Ala, no fim do Leblon. "Na pior das hipóteses, se a Cedae não fizer o trabalho dela, a poluição vai se concentrar em um só local", provocou o prefeito. Atualmente, a água da chuva atinge seis pontos da praia.
Durante os quatro meses da obra, a praia de Ipanema terá trechos cobertos por tapumes. O prefeito não teme que a imagem da cidade fique abalada entre os turistas - no verão passado, Ipanema esteve interditada por causa de um acidente no emissário submarino, que lança esgoto em alto-mar. "Estou preocupado com o morador", afirmou. Conde admitiu que a obra é barata, mas não soube explicar porque só agora ela será realizada. "Eu sei porque estou fazendo agora, não sei porque não fiz antes; eu devia ter estudado inglês mais cedo também", ironizou.

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