Técnicos constatam crimes ambientais em áreas no PR
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de setembro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério do Meio Ambiente (MMA) mantém técnicos espalhados pelas cinco áreas paranaenses selecionadas para se transformar em unidades de conservação. Uma delas, em Palmas (95 km a leste de Pato Branco). A área, de 16.188 hectares, seria transformada em Refúgio de Vidas Silvestres por ter um dos maiores campos de ligação entre florestas de araucária do Paraná. Entretanto, os campos estariam ameaçados. De acordo com Maurício Savi, coordenador da Força-Tarefa das Araucárias do Ministério do Meio Ambiente, cerca de 3,4 mil hectares já sofreram diversos tipos de crimes ambientais.
Através de vistorias aéreas foram observadas, na margem esquerda do rio Chopin, áreas revolvidas, queimadas recentes e buracos nos terrenos. Numa área de 1,4 mil hectares teria sido utilizado trator para o plantio de pinus. ''A perda biológica dos campos naturais é extrema. As modificações foram feitas sem qualquer tipo de licenciamento ambiental. Estão destruindo uma área que está ameaçada de extinção no Brasil'', reclamou Savi, lembrando que apenas 0,2% das matas paranaenses são compostas por campos naturais.
Equipes permanentes estão monitorando as áreas. ''A situação é dramática. Interrompemos as audiências públicas para dialogar com os proprietários das áreas. Tenho a impressão que o diálogo foi uma estratégia para que perdêssemos tempo e as áreas fossem devastadas'', suspeita. As modificações ambientais já geraram um total de R$ 9 milhões em multas até agora. Foi encaminhado material ao Ministério Público (MP) para que os proprietários das áreas alteradas respondam processos criminais.
''A araucária não aguenta muito tempo. Temos que fazer algo urgente para que as áreas sejam conservadas imediatamente. A discussão política deve ser evitada. O País está desgovernado e o problema é urgente'', desabafou. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Renováveis (Ibama) pede que o local seja transformado urgentemente em Parque Nacional o que aumentaria ainda mais as restrições ambientais.


