Rio, 12 (AE) - O técnico em informática Luiz César de Oliveira, investigado pela Polícia Federal (PF) como a pessoa que recebia na Espanha a cocaína levada em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), vai prestar depoimento em cartório amanhã (13)
no Rio, relatando os detalhes de todas as suas viagens no país, segundo seu advogado, Edson Ribeiro. O advogado quer reunir o relato de Oliveira em uma escritura declatória que será enviada sexta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Nacortráfico, da Câmara dos Deputados, junto com um requerimento pedindo que um representante da comissão ou uma autoridade policial o acompanhe até Madri.
"Nossa idéia é reunir provas que assegurem a inocência de nosso cliente", disse o advogado, que não teme que Oliveira possa ser preso na hora em que for prestar depoimento em cartório. "Sabemos dos riscos, mas é fundamental o depoimento oficial dele", afirmou. Oliveira, que chegou ao Rio na semana passada, está foragido da Polícia Federal e está com prisão preventiva determinada pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
A PF suspeita que o técnico de informática e Roberto Monteiro Zau, também foragido, eram as pessoas que recebiam as encomendas na Europa enviadas através de aviões da FAB pela quadrilha do americano John Michael White. O americano está preso na sede da Polícia Federal no Rio, desde que foram descobertas, no dia 19 de abril, duas malas com 32,9 quilos de cocaína dentro do Hércules C-130 da FAB, em Recife. O avião iria para Las Palmas, na Espanha, onde a droga seria desembarcada. CPI - White deverá ser ouvido amanhã na CPI do Narcotráfico, juntamente com a boliviana Lila Mirtha Iban$z Lopez, responsável pela contato entre a quadrilha e traficantes-produtores da Colômbia e Bolívia. Oliveira é irmão do tenente-coronel Paulo Sérgio de Oliveira, que está detido em uma base da Aeronáutica de Recife. Foi o oficial quem entregou as malas com a droga à tripulação do Hércules no Rio, de onde o avião saiu rumo à Espanha.

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