Os índices de reajuste do pedágio em estudo pelo governo do Estado – entre 13% a 18% – não conferem com o que determina o contrato com as concessionárias do Anel de Integração. A pedido da Folha, o coordenador-técnico de Economia do Departamento Intersindical de Estatística e de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, fez o cálculo do reajuste, usando a fórmula definida em contrato.
Os resultados ficaram acima dos parâmetros em estudo para serem fixados a partir de 1º de dezembro. Os dois cálculos foram feitos levando em conta o período que o governo alega incidir o reajuste.
Oficialmente, o secretário de Comunicação, Rafael Greca, vem dizendo que a inflação embutida na tarifa é referente a 18 meses. Nesse caso, o cálculo de Cid Cordeiro atingiria a cifra de 25,44%. Assim, um carro pagaria R$ 5,39 para ir de Curitiba a Paranaguá, pela rodovia administrada pela Ecovia, contra os atuais R$ 4,30.
No entanto, os cálculos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), estão baseados em outra interpretação do contrato, que considera o período de novembro de 1996 a outubro de 2000. Assim, o pedágio poderia sofrer uma recomposição de 34,97%. Baseado nesse índice, o valor da tarifa do mesmo carro na Ecovia subiria de R$ 4,30 para R$ 5,80.
Cordeiro entende que estes índices são altos. Para ele, a fórmula que o governo adota permite essas grandes elevações. Uma das razões para isto é que os indicativos inflacionários são defasados, possibilitando as concessionárias ganhar em cima desses cálculos. ‘‘O processo todo precisa ser repensado’’, resumiu o economista.
Para Cordeiro, todo o cálculo do pedágio está distorcido. ‘‘O problema começou com a definição de preço, que foi feita pelo governo para atender às empresas que ganharam a concorrência’’, disse. ‘‘Não se sabe os critérios iniciais’’, questionou.

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