O Fundo Monetário Internacional contribuiu para ‘‘agravar a crise financeira mundial’’ e está levando o Brasil a ‘‘uma profunda recessão’’, advertiu, em Nova York, Jeffrey Sachs, diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard.
Sachs pôs o FMI no banco dos réus, durante uma conferência nas Nações Unidas sobre a crise mundial, da qual participaram também o ministro das Finanças do Chile, Eduardo Aninat, e o diretor da CEPAL, José Antonio Ocampo.
‘‘O FMI é uma instituição muito poderosa, secreta, que agiu mal durante a crise nos mercados emergentes, agravando a situação da Ásia, da Rússia e, agora, do Brasil’’, disse Sachs.
Ele pediu para que sejam ‘‘cortadas as asas do FMI’’, propondo uma reforma total da instituição financeira. ‘‘Se não, entraremos num período sumamente perigoso, de confusão e confronto’’, advertiu.
Ano passado, quando explodiu a crise, ‘‘o FMI estava muito contente administrando 80 países no mundo, e não deu atenção’’, lembrou Sachs. Observou também que o Fundo aparece como uma ‘‘organização secreta’’, e que lhe faltou moderação.
‘‘Trabalhava para tornar o mundo seguro para os administradores de fundos de capital a curto prazo, o capital volátil, pondo a taxa de câmbio acima de tudo’’, reprovou.
Na opinião dele, esse foi um dos grandes erros cometidos pelo Fundo no Brasil. Em declarações à AFP, depois da conferência, Sachs assegurou que ‘‘a grave recessão’’ para a qual se dirige o gigante sul-americano ‘‘é desnecessária’’.
‘‘Se o Brasil tivesse sido mais flexível com sua taxa de câmbio há 18 meses, há seis, e até há um mês, então as taxas de juros poderiam baixar e os efeitos do choque asiático teriam sido menores’’.
Afirmou também que a moeda brasileira está superestimada em 30%, o que provoca desequilíbrios na economia.
‘‘Com a atual estratégia de manter o real forte, as taxas de juros devem manter-se muito altas, criando uma forte pressão sobre o orçamento, uma terrível perda da demanda, que faz por exemplo que as vendas de carros desabem’’, explicou.
O diretor da Harvard destacou, também, que ‘‘o desemprego no Brasil subiu e que o crescimento econômico será negativo em 1999’’, devido à estratégia ‘‘contraditória’’ decidida pelo FMI e o governo brasileiro.
Já o ministro de Finanças chileno disse que não compartilhava a opinião de Sachs, porque ‘‘sua crítica ao FMI é polêmica e exagerada’’. ‘‘Tenho uma posição mais positiva’’, afirmou. ‘‘Muitos países não teriam efetuado nem a metade das reformas sem a assistência do FMI’’.

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