Odair StraliottiFogo cerradoNa lataria do veículo do IAP, as marcas dos vários disparosIVAIPORÃ - Internado no Hospital Bom Jesus e já recuperado do drama que viveu anteontem, quando foi alvo num tiroteio de pistoleiros, na Fazenda 7 mil, em Jardim Alegre - 150 quilômetros ao sul de Londrina - Maurílio Vila, 32 anos, técnico do setor de recursos naturais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), diz que se sente renascido.
Vila e seu companheiro de trabalho no IAP, Jamilton Dias, foram até a fazenda, que foi invadida por cerca de trezentas famílias de sem-terra no dia 8, para averiguar denúncia de incêndio numa área de mata nativa. Ao mesmo tempo, os técnicos pretendiam vistoriar uma reserva de preservação permanente, atendendo solicitação do proprietário da fazenda, Flávio Pinho de Almeida.
Recuperando-se do tiro que levou na perna esquerda, na altura da coxa, Maurílio Vila lembra que apesar de utilizar um carro timbrado do IAP, e de ter se identificado, a uma distância de 50 metros, os pistoleiros da fazenda reagiram atirando. ‘‘Quando desci do fusca, eles atiraram para matar’’, conta o técnico do IAP, explicando que seu colega abaixou-se dentro do carro e que ele, ferido na perna, escondeu-se atrás do fusca.
Em meio ao intenso tiroteio, Vila pulou no banco de trás do carro, e Jamilton deu partida, andando cerca de 150 metros em marcha à ré para fugir. ‘‘Pensei que fôssemos morrer’’, comentou o técnico do IAP, lembrando que no fusca ficaram as marcas dos tiros disparados pelos pistoleiros da fazenda.
Segundo os técnicos do IAP, escritório regional de Ivaiporã, não houve problemas para passar pelo acampamento dos sem-terra. ‘‘Eles inclusive nos alertaram para ter cuidado, porque havia muitos pistoleiros armados na fazenda, mas nós não imaginávamos que isso pudesse acontecer’’, relatou Vila, que deve ter alta neste sábado.
Para ele, as autoridades precisam agir com urgência, providenciando um desarmamento na Fazenda 7 Mil, considerando que o acampamento de sem terra está a apenas 500 metros do local onde estão alojados os pistoleiros. A polícia de Jardim Alegre abriu inquérito para investigar a suposta tentativa de homicídio.

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