Técnica simplifica fertilização in vitro
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quarta-feira, 14 de julho de 2004
Adriana De Cunto<br>Equipe da Folha 
Curitiba-Uma técnica de fertilização in vitro desenvolvida há três anos por um médico de Curitiba está facilitando a vida de mulheres com dificuldades para engravidar. O método reduz riscos e custos do tratamento tradicional e já foi responsável pelo nascimento de cerca de 100 crianças no último ano. Batizado de Fertilização In Vitro Simplificada, ele será apresentado pela primeira vez à comunidade científica no dia 17 de agosto por seu criador, o médico Karam Abou Saab, professor da Universidade Federal do Paraná. A apresentação será durante uma jornada da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, em Belo Horizonte (MG). Saab é diretor do Centro Paranaense de Fertilidade, responsável pelo nascimento do primeiro ''bebê de proveta'' no Paraná, em 1986. Vale lembrar que o Paraná foi o segundo estado brasileiro a realizar o nascimento de bebês concebidos por meio de fertilização in vitro.
O assunto desperta interesse porque a incidência da infertilidade vem crescendo. Hoje, segundo Saab, 15% dos casais brasileiros sofrem com o problema, por causas orgânicas ou psicológicas. O número era menor na época de nossas avós. Uma das causas do aumento é justamente o fato das mulheres estarem deixando a maternidade para mais tarde, devido a preocupação com o sucesso profissional. A fase de maior fertilidade está entre 20 e 30 anos, explica o professor.
Outras causas da maior incidência de infertilidade são iniciação sexual precoce, com elevado risco de ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e consequentes danos às trompas ou aos testículos; gestações indesejadas, que levam a abortos provocados com possibilidade de lesões uterina ou tubária. Também a falta de ovulação, problemas no colo uterino, endometriose, ausência de espermatozóides, exposição a produtos tóxicos em alimentos ou poluentes no ar podem provocar a infertilidade.
''Na análise da infertilidade, 40% das causas são referentes à mulher, 30% ao homem (anomalias congênitas ou adquiridas como no uso de drogas, poluição, estresse), 20% ao casal e 10% sem diagnóstico'', explica Saab.
Como o nome já diz, a técnica simplifica o método tradicional. A Fertilização In Vitro é feita com a retirada do óvulo da mulher através de uma punção transvaginal (monitorada com aparelhos). Esse óvulo será fertilizado com o espermatozóide do marido, em uma estufa. Dois a cinco dias após este processo, o óvulo transformado em embrião é transferido para o útero da mãe, também por via vaginal. Os dois procedimentos levam cerca de meia hora, são realizados em clínica com anestesia local (só na retirada do óvulo) e sedativo leve.
Na forma tradicional, explica o médico, a paciente toma 30 injeções ou mais de um medicamento para estimular a ovulação. Isso pode provocar um inchaço no ovário e formação de cistos.
A simplificada associa equipamentos sofisticados com menos medicamentos e exames. As pacientes utilizam sete injeções para estimulação do ovário e o tratamento resulta em três ou quatro embriões e todos serão transferidos para o útero da mãe. ''Os resultados são os mesmos e o custo é menor que a metade'', destaca Saab.
Outra diferença é que a técnica simplificada diminui a incidência de nascimento de gêmeos e embriões congelados. Enquanto a tradicional apresenta um índice de 30% de gêmeos, na simplificada, esse número cai para 12%.
Saab é professor de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná. Em novembro de 1992 realizou a primeira gestação no Brasil em mulher menopausada (com doação de óvulos) e, no mesmo ano, fez o primeiro nascimento no mundo após reversão de laqueadura realizada por videolaparoscopia. Por esta iniciativa ele recebeu o Prêmio Paul Palmer no 1º Congresso Brasileiro de Cirurgia Laparoscópica, em 1992.


